Esquema suspeito da inspeção foi copiado no RN

Investigação do MP potiguar cita e-mails trocados entre lobista e presidente da Controlar; interessados teriam combinado até o texto do edital

MARCELO GODOY, O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2011 | 03h01

A engenharia do esquema de fraude na inspeção veicular em São Paulo denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPE) serviu de modelo para o edital e a licitação no Rio Grande do Norte, alvo da Operação Sinal Fechado, que levou para a cadeia 14 pessoas na quinta-feira. A acusação é da Promotoria potiguar, com base em interceptações telefônicas e de e-mails trocados pelo lobista paulista Alcides Fernandes Barbosa.

Ele é descrito pelos promotores como "um especialista em obter contratos com o poder público de forma fraudulenta em vários municípios brasileiros". Em e-mails trocados por ele em 26 de março de 2009 com Harald Peter Zwetkoff, presidente da Controlar, a empresa responsável pela inspeção veicular em São Paulo, Barbosa recebe instruções sobre "a implantação do programa de inspeção veicular".

Os dois combinaram que a lei daquele Estado que instituiria o programa devia prever a concessão do serviço. As empresas interessadas no serviço, segundo os promotores, montaram o edital e até mesmo o texto da lei - suspensa pela Justiça - que criou a inspeção no Rio Grande do Norte. "Esses foram os primeiros passos da organização criminosa em busca de mais uma galinha dos ovos de ouro", dizem os promotores. Em conversas com outros acusados, Barbosa relatou seus supostos contatos.

Kassab. Mais tarde, segundo o MPE potiguar, Barbosa recebeu cota de 5% de participação nos lucros da inspeção veicular do Rio Grande do Norte apenas para afastar a Controlar do negócio naquele Estado. Para tanto, os grampos mostram que Barbosa dizia ter procurado o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), a fim de que esse usasse sua influência sobre a empresa.

Kassab teve seus bens sequestrados pela Justiça, assim como o secretário do Verde, Eduardo Jorge. Além deles, 13 empresários e seis empresas - entre os quais Zwetkoff e a Controlar - também tiveram os bens bloqueados. Procurada na sexta, a Controlar negou, por telefone, ter participado do edital no Nordeste. Todos os acusados negam fraudes. Kassab se disse indignado com as acusações do MPE de São Paulo. E deve apresentar à Justiça nesta semana o recurso contra o bloqueio de seus bens.

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