Ernesto Rodrigues/AE
Ernesto Rodrigues/AE

‘Esqueleto’ da Rubem Berta sairá em 2013

Operadora de plano de saúde assume obra parada desde 2000 e promete hospital

Luísa Alcalde,

26 Outubro 2011 | 22h00

O “esqueleto” de um edifício de cinco andares na Avenida Rubem Berta, na Vila Clementino, zona sul da capital, vai virar um complexo hospitalar, após mais de 10 anos de abandono. Há algumas semanas, uma placa colocada no imóvel anunciou a retomada da construção e também o novo dono, a Intermédica, operadora de plano de saúde vinculada ao Grupo NotreDame.

No local, a empresa vai instalar, com recursos próprios, uma nova unidade de saúde, que será batizada de Hospital 23 de Maio - o valor do investimento não foi revelado. Ontem, as primeiras telas de proteção para a finalização do edifício já foram montadas. A previsão de entrega do edifício remodelado é 2013.

As obras no imóvel foram paralisadas pela última vez em 2000, ano em que a Unimed São Paulo foi liquidada extrajudicialmente e deixou o esqueleto deteriorando-se no local, que abrigaria um hospital daquela operadora de plano de saúde. Antes disso, entretanto, o prédio pertenceu a outros dois grupos da área médica e também foi motivo de disputa judicial por falência das controladoras - o edifício chegou a ir duas vezes a leilão.

Quase concluída. Na posse da Unimed, cerca de 80% da área externa do imóvel havia sido concluída, com pintura e colocação de janelas de vidro, além de um espaço reservado para instalação de heliponto - na época, a operadora divulgou que já havia investido R$ 42 milhões no prédio. Com o passar dos anos, em consequência do imbróglio judicial, a construção se degradou: nos últimos meses, o prédio estava com toda a fachada pichada e sem nenhum vidro inteiro.

O prédio tem cinco pavimentos erguidos em um terreno de 15 mil metros quadrados. Há ainda duas áreas que pertencem ao imóvel - uma ao lado e outra em uma rua atrás do prédio -, com cerca de 3,5 mil m² somadas.

Na Avenida Rubem Berta, uma das vias que compõem o Corredor Norte-Sul da capital, o imóvel tem uma localização considerada estratégica para a instalação de unidades de saúde, pois facilitaria tanto o acesso de médicos e pacientes quanto o trânsito de ambulâncias nos arredores.

Quase hospital público. Um ano atrás, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) chegou a anunciar um projeto para transformar o antigo esqueleto de concreto abandonado em um hospital especializado no atendimento de tragédias. Seria o primeiro do País neste modelo.

Segundo Paulo Pontes, coordenador da comissão de verticalização do Bairro Universitário da Vila Clementino - um protocolo de melhorias para o bairro feito em uma parceria da Unifesp com a Prefeitura -, houve diversas negociações com as três esferas de governo, na tentativa de adquirir o prédio e tirar a proposta do papel.

Segundo ele, porém, o alto valor pedido na negociação inviabilizou o negócio. Na ocasião, cotações iniciais giravam em torno de R$ 65 milhões.

CRONOLOGIA

Empresa faliu e a obra parou

1999

Dívidas

A Unimed São Paulo, antiga proprietária do imóvel, faturava em 1999 cerca de R$ 40 milhões por mês, mas acumulava dívidas de R$ 350 milhões

2000

Liquidação

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) decretou intervenção na Unimed em razão dos problemas financeiros, e a obra de construção do hospital na Avenida Rubem Berta foi paralisada. Na época, a empresa dizia precisar de R$ 10 milhões para concluir o prédio e outros R$ 60 milhões para equipá-lo para hospital

2003

Justiça

Os bens foram arrolados no processo de liquidação extrajudicial aberto pela ANS

2007

Leilão

A operadora Intermédica arremata o imóvel

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