Esquecida pelo pai dentro do carro, menina morre na Grande SP

O pai da criança de dois anos e quatro meses foi autuado por homicídio culposo, mas liberado depois de pagar fiança de R$ 725

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

18 Dezembro 2014 | 11h37

Atualizado às 12h15

SÃO PAULO - Uma menina de dois anos e quatro meses morreu após ser esquecida pelo pai dentro do carro na cidade de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, na tarde desta quarta-feira, 17. Pai da criança, o funcionário público Rodrigo Machado foi autuado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e liberado após pagamento de fiança de R$ 725.

Aos policiais, Machado contou que havia saído do trabalho no horário de almoço para buscar a filha na casa da avó e, depois, deixá-la na escola. No entanto, ele acabou esquecendo da criança, que estava dormindo na cadeirinha, no banco traseiro do carro, e foi direto para o serviço.

Durante o expediente, o veículo ficou estacionado na Rua 23 de Maio, na região do Rudge Ramos, próximo ao prédio da Secretaria de Finanças de São Bernardo, onde o funcionário público trabalha, e da Escola de Educação Infantil Integração, onde a filha estudava.

Por volta das 18h, Machado foi até a escola da menina para buscá-la. Segundo a Polícia Civil, ao chegar lá, foi informado pelos funcionários que não havia deixado a filha no colégio a naquele dia. Só então teria se dado conta que a havia esquecido no carro.

A Polícia Militar foi acionada para socorrer a criança, mas a menina foi encontrada quando já estava morta. À noite, os pais prestaram depoimento no 2º Distrito Policial (Rudge Ramos) de São Bernardo. Em estado de choque, o funcionário público precisou ser levado para o hospital.

Outros casos. Em menos de uma semana, ao menos outras duas crianças morreram no País após serem esquecidas dentro de carros. Também nesta quarta-feira, depois de ter ficado por cerca de cinco horas trancada, uma menina de dois anos de idade foi encontrada morta em Belo Horizonte.

Segundo a polícia, a criança saiu de casa com a mãe para ir ao berçário, mas foi esquecida no carro. A mãe só constatou que a filha estava no carro quando seguiu para a creche, após o trabalho, e foi informada de que a criança não estava lá.

Em depoimento à polícia, a mãe disse que saiu de casa para trabalhar e deixou o carro em um estacionamento, perto do trabalho, como sempre faz. No final do expediente, foi direto para a creche, buscar a filha, quando foi informada que ela não estava no local.

Na sexta-feira, 12, Gabriel Martins Alves de Oliveira, de dois anos, foi esquecido dentro do carro de Cláudia Vidal da Silva, que faz transporte escolar de forma irregular na zona norte do Rio de Janeiro. A criança sofreu insolação depois de passar duas horas no interior do veículo.

A polícia desmontou a versão da motorista, que declarou que havia passado mal e ficado desacordada nesse período, mas investigadores descobriram que ela foi a um salão fazer as unhas, deixando intencionalmente a criança sozinha no veículo. 

A dona do salão e a manicure que atendeu Cláudia prestaram depoimento e contaram que ela já tinha horário previamente marcado na sexta-feira - no mesmo horário em que deveria levar Gabriel à creche. A agenda foi apreendida pela polícia, que a havia indiciado por abandono de incapaz seguido de morte e agora deve mudar o crime para homicídio culposo (sem intenção de matar).

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