Espuma do Tietê persiste há mais de uma década

Dez anos depois de o Estado mostrar que o governo pretendia dar um fim à espuma no Rio Tietê em Pirapora do Bom Jesus, o "tapete" de poluentes persiste na cidade da Região Metropolitana. Em 2003, a Sabesp e a Empresa Metropolitana de Água e Energia (Emae) instalaram "chuveirinhos" para diluir a espuma. Os aspersores funcionaram por alguns anos, mas não acabaram com o problema. Na manhã de ontem, o branco recobria o rio e todos os problemas estavam de volta.

José Maria Tomazela / Sorocaba, O Estado de S.Paulo

18 Julho 2013 | 02h36

Com o vento, alguns blocos de espuma caem nas ruas ao redor. Moradores reclamam que, ao secar, ela deixa manchas no chão, em roupas e nos carros. Com isso, a cidade pode perder mais de 50% dos turistas.

O Tietê corta o centro velho da cidade e, ao passar pelos vertedouros da barragem da Usina Hidrelétrica do Rasgão, as águas turbilhonam e produzem a espuma. A cidade de 15.727 habitantes abriga o santuário do Bom Jesus, destino de 600 mil romeiros por ano. Apesar da beleza cênica, a espuma incomoda os turistas, diz a secretária do santuário, Raíssa Aureliano da Silva. "Quem vem pela primeira vez reclama de coceira no nariz e ardência nos olhos." Às vezes, o cheiro de um gás liberado pela espuma invade a igreja.

O prefeito Gregório Maglio (PMDB) contou que o nível do Tietê está mais baixo por causa do tempo seco, o que agrava a poluição. "O rio já chega aqui poluído e nós pagamos a conta." Na década de 1980, segundo ele, os barcos turísticos faziam passeios pelo rio e a cidade recebia 10 mil turistas todo fim de semana. "Hoje, se vêm 2 ou 3 mil é muito."

A assistente administrativa Maria Dionísia de Oliveira, moradora da cidade há 16 anos, já se acostumou. "A espuma desaparece por uns tempos, depois forma outra vez."

Piora. Um relatório da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) mostra que o Rio Tietê está mais poluído na região. Enquanto em outras bacias houve diminuição no lançamento de esgotos, no Tietê, de 2011 para 2012, aumentou de 622 para 644 toneladas diárias a carga remanescente de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) - parâmetro usado para quantificar a poluição.

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