Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

Esplanada vai ligar Pq. D. Pedro e Mercadão

Enquanto obra não começa, vizinhos já temem que o local vire nova cracolândia

Rodrigo Brancatelli e Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

04 Maio 2011 | 00h00

Após nove meses de demolição dos edifícios São Vito e Mercúrio, no centro, a Prefeitura anuncia hoje mais um plano de revitalização da região - que já conta com iniciativas longe de serem concluídas, como a Nova Luz, a reforma da Rua do Gasômetro e a Praça das Artes. Com projeto orçado em R$ 1,5 bilhão, a intenção é, em seis anos, transformar um trecho da Avenida do Estado em túnel, criar esplanada, construir equipamento de lazer e interligar prédios.

A nova esplanada vai unir o Parque D. Pedro II, o Mercado Municipal, a Casa das Retortas e um futuro anexo do Mercadão (que ficará na área do Edifício São Vito e será uma espécie de centro gastronômico). A área revitalizada será do tamanho de meio Parque do Ibirapuera - para conseguir transformar a região em uma esplanada só para pedestres, o terminal de ônibus será integrado ao Fura-Fila e à estação de Metrô. Já a Avenida do Estado será rebaixada entre a Avenida Mercúrio e após a Rua General Carneiro. O projeto ainda terá "lagoa de retenção", uma espécie de piscinão, para melhorar a drenagem.

A obra será dividida em quatro partes. Até o fim do mandato do prefeito Gilberto Kassab, apenas a primeira fase ficará pronta: a construção de um pontilhão para substituir o Viaduto Diário Popular e outras intervenções menores..

Uma das últimas grandes áreas abandonadas do centro, o Parque D. Pedro II tem promessas de reforma desde a gestão Luiza Erundina (89-92). "O local hoje não é acessível ao pedestre, não dá para desfrutar do parque. Essa é uma das funções do projeto", diz o secretário Miguel Bucalem, de Desenvolvimento Urbano. "Outro ponto importante é que ali há um nó de transporte. Vamos aproximar o terminal de ônibus do metrô."

Cracolândia. Comerciantes da região temem, no entanto, que a quadra atraia viciados e moradores de rua. "Com o prédio já era ruim. Com o terreno vazio, então, vai virar hotel para "noias"", diz a vendedora Adriana Gomes. O medo dela e de outras pessoas que trabalham nas proximidades é justificável: o edital de execução do projeto ainda não foi lançado. A solução da Prefeitura para evitar invasão é manter tapumes. Nos próximos 40 dias, ainda haverá operários trabalhando na remoção do entulho do São Vito.

Atraso

Pendências judiciais atrasaram a demolição do Edifício São Vito, que terminou no domingo. A Defensoria Pública do Estado queria que o local fosse destinado à moradia popular, não a parque.

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