''Espero que eles sejam condenados''

Quase dois anos após a morte de Isabella Nardoni, em 29 de março de 2008, a bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira, de 24 anos, busca formas de manter viva a memória da filha. Mantém fotos da menina pela casa inteira, guarda brincos e roupas de Isabella com objetos pessoais. Procura também, vez ou outra, passear com os sobrinhos - o que a faz "reviver", segundo conta, algo semelhante ao que sentia nos momentos com a filha.

Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

20 Março 2010 | 00h00

Em entrevista concedida ao Estado, anteontem, por e-mail, ela também falou do julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella, marcado para segunda-feira. "Serão condenados", ela diz. Nem assim, contou, ela se sentirá mais tranquila. Será apenas mais um passo, de alguém cujo objetivo maior, após uma grande tragédia, é simplesmente "caminhar e continuar".

Passados quase dois anos do crime, qual sua opinião sobre aquela noite?

Eu acredito na versão oficial do processo, tudo que foi trabalhado e concretizado. Espero que a Justiça seja feita, que eles sejam condenados.

Você imagina sua reação, caso haja condenação? Ficará mais tranquila?

Vou sentir que a Justiça foi feita. Mas ficar tranquila é difícil, afinal minha filha nunca mais vai voltar. Ninguém procura vingança, porque esse termo expressa morte, e nessa história minha filha já sofreu. Espero ver pagamento pelo que se cometeu.

Há alguma coisa que você faz para lembrar de Isabella?

As coisas que fazia com ela eram únicas, cada dia uma novidade. O que voltei a fazer é sair mais com meus sobrinhos e levá-los para passear. Era o que fazia com minha filha e de certa forma me faz reviver isso...

Você procura fazer algo para cultivar a memória de Isabella?

Há fotos dela na casa inteira. Tenho roupas dela na minha gaveta junto com minhas coisas. Brincos na mesmo lugar que os meus, entre outras coisas.

Você passou a fazer algo que não fazia?

A terapia, eu comecei depois da morte dela. Procurei ajuda para não me enterrar com ela. Orações sempre fizeram parte de minha vida.

Qual seu maior sonho, hoje?

Ver a Justiça ser feita.

Em outra oportunidade, você disse que gostaria de voltar a ter filhos. Continua com o mesmo pensamento?

Quero, sim, ter outros filhos. Pretendo ter dois filhos. Mas agora terei três, pois a Isabella será eterna para mim.

Como você define a fase atual de sua vida?

Estou tentando caminhar e continuar...

Após todo esse tempo, ainda a reconhecem na rua?

Reconhecem, sim. Cada pessoa tem uma maneira diferente de manifestar, mas todas com muito carinho e atenção. Continuo recebendo cartas, lembranças e abraços que as pessoas me dão quando me encontram.

Alguma manifestação de apoio a emocionou mais?

Fiquei muito emocionada com os vídeos e músicas em homenagem a minha filha. A última que me emocionou foi de uma mãe que hoje se tornou minha amiga. Acabamos nos conhecendo e ela me disse: "Pedi muito a Deus para te conhecer, poder emprestar minha filha para você, para tirar essa dor que sente. Queria poder tirar um pouco da sua dor." Fiquei emocionada, acabei chorando de emoção e nos abraçamos.

Você dizia chorar diariamente. Você acredita que um dia conseguirá minimizar a dor?

Diariamente não acontece mais, mas ainda sofro bastante com a ausência e acredito que vá sofrer pelo resto da minha vida. Não seguro quando sinto vontade louca de chorar, faço o que meu coração manda.

Há algo que você costuma fazer para lazer, para distração?

Não saio muito. Tem sido difícil buscar algo para me distrair diante de tudo que vivi.

Há momentos delicados?

Datas comemorativas são sempre muito complicadas. Não fazemos nada em especial, apenas ficamos juntos em casa para conseguir passar por mais esse momento.

Haverá homenagem em 29 de março, quando se completam dois anos da morte de Isabella?

Só celebraremos uma missa.

Você continua conversando com os avós paternos de Isabella, os pais de Alexandre?

A última vez que falei com o pai dele foi antes da primeira vez que foram presos e com a irmã, na missa de sétimo dia.

Pensa em participar de ações não-governamentais, ou mesmo criar um instituto para ajudar outras mães a enfrentar momentos difíceis, por exemplo?

Participar de uma ONG é algo sério que tem de ser analisado, e hoje não consigo pensar nisso. Mas continuo fazendo trabalhos sociais, assim como fazia antes mesmo da morte de minha filha. Tenho amigos que me ajudam muito e sempre fazemos ações para ajudar quem precisa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.