'Esperava mais', afirma técnico da implosão

Diretor de empresa contratada emergencialmente para o serviço diz que 'não podia pôr explosivo em tudo quanto é lugar' e nega falha na operação

CAIO DO VALLE, JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2012 | 03h03

Um dos responsáveis pela demolição do Moinho Central, em Campos Elísios, no centro de São Paulo, reconheceu ontem que esperava mais do serviço. O prédio de seis andares teve de ser derrubado após um incêndio na Favela do Moinho, no dia 22 de dezembro, prejudicar as fundações do edifício e ameaçar duas linhas de trem. Mas a implosão, no dia 2, só conseguiu pôr abaixo dois andares.

"Eu esperava mais do serviço, mas não houve falha", disse Wesley Bartoli, diretor técnico da Desmontec, uma das empresas contratadas emergencialmente pela Prefeitura para executar o serviço (a outra é a Fremix). "Até trabalhei para que conseguisse jogar (o prédio) no chão. Mas eu não consegui jogar, porque o explosivo, apesar de todo mundo achar que é muito, ainda foi pouco. E eu também não podia pôr explosivos em tudo quanto é lugar."

Segundo Bartoli, sua avaliação antes da implosão era de que o prédio "tinha 50% de cair e 50% de chance de ficar em pé". "Fiquei triste, porque as pessoas não sabem interpretar. Eu deveria ter frisado antes que o prédio corria o risco de só assentar, porque nós planejamos a implosão para tirar o risco (às linhas de trem), não para eliminá-lo totalmente", disse.

O prefeito Gilberto Kassab (PSD), que havia comemorado o "sucesso" da demolição, reafirmou que não esperava a derrubada completa do prédio. "A minha expectativa é de que não tivesse problemas com relação aos trilhos e a circulação fosse restabelecida, como foi. Se ele tinha a expectativa de que caísse ou não caísse, isso é um problema dele (Bartoli)", disse. "Ninguém está mentindo, nem ele nem a Prefeitura. O que ele disse é que a Prefeitura sabia de seus procedimentos e eu sabia por meio da outra empresa. Ele falou a verdade. A Prefeitura também falou a verdade. O que existe é uma tentativa política de levantar suspeição sobre algo que foi feito corretamente, com transparência e seriedade."

Inquérito. A implosão parcial do Moinho Central será objeto de um inquérito civil público, cuja instauração está prevista para a próxima segunda-feira. O promotor de Habitação e Urbanismo Maurício Ribeiro Lopes afirmou ontem que serão avaliados diversos aspectos da ação, considerada malsucedida por alguns especialistas. Um dos pontos que serão analisados é o custo da operação, que, segundo a Prefeitura, foi de R$ 3,5 milhões.

Além de suposto risco de desabamento que o imóvel ainda possa oferecer às linhas férreas, será avaliado o encaminhamento dado às famílias da Favela do Moinho, instalada no local, afetadas pelo incêndio que destruiu o imóvel. "Também temos notícias de um eventual superfaturamento dessa implosão. Tudo isso vai ser objeto de investigação", diz o promotor.

Interdição. O Ministério Público informou que deve haver nova interdição nas Linhas 7-Rubi e 8-Diamante da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) a partir das 2h de sábado, para continuidade da demolição do moinho. A CPTM, no entanto, não confirmou a informação ontem à noite.

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