Espera de 2 anos por imóvel gera protesto

Famílias também pagam juros cobrados pela construtora, que não conseguiu Habite-se

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2012 | 03h03

Quinhentas famílias esperam desde 2010 pela entrega de apartamentos na Freguesia do Ó, zona norte de São Paulo, e ainda pagam juros cobrados pela construtora e incorporadora Tecnisa. Revoltados, moradores vão protestar às 10h30 de hoje na frente dos prédios, na Avenida Petrônio Portela. O condomínio foi construído sobre um bosque, o que atrasou o processo de licenciamento na Prefeitura.

A supervisora de vendas Adriana Paes Landim, de 39 anos, diz que está morando "de favor". "Por causa do atraso, estou tendo de viver na casa dos meus pais", disse ela, uma das organizadoras do protesto. Segundo Adriana, a construtora converteu a compensação ambiental de construir 2.142 mudas no pagamento de multa de cerca de R$ 127 mil. Mas, mesmo com a troca pela compensação financeira, o empreendimento ainda não conseguiu o Habite-se.

A Tecnisa alega que assumiu pendências ambientais deixadas por outra construtora, que não informou sobre o problema antes de repassar o empreendimento. A empresa afirma que vem trabalhando "incansavelmente" para acelerar o processo na Prefeitura.

Na comunidade dos moradores no Facebook, os compradores lamentam. "Esse Viverde deveria mudar de nome: Condomínio Esperança... Esperança de um dia morar nele. Que decepção e arrependimento", escreveu uma das pessoas.

Outra reclamação dos moradores é que, mesmo com o atraso, a Tecnisa continua cobrando juros sobre o pagamento da parcela final, geralmente em fase de financiamento bancário. "Não é justo cobrarem juros durante o atraso criado por eles mesmos", reclama Adriana.

A Tecnisa afirma que "as cobranças são legítimas e estão devidamente previstas em contrato". Além disso, de acordo com a empresa, os clientes estão sendo indenizados pela demora na entrega dos apartamentos. A construtora afirma que 90% dos apartamentos estão vistoriados e aceitos pelos moradores, aguardando apenas o alvará da Prefeitura para emitir a posse dos imóveis.

Queixas. A Associação dos Mutuários de São Paulo e Adjacências (AMSPA) registrou um aumento de 31% nas reclamações contra construtoras no primeiro semestre. Foram 1.163, ante 888 casos no mesmo período de 2011. Atrasos na obra, problemas na construção e juros abusivos lideram as reclamações.

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