TV Estadão | 9.5.2015
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Espécies vivem associadas ao fundo de areia ou aos costões

Produção pesqueira do Araçá é pequena, mas de grande importância para famílias caiçaras que se criaram em volta da baía

Herton Escobar, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2015 | 02h03

Vista da superfície, a Baía do Araçá não salta aos olhos de um turista como um lugar tão especial. Nada de praias paradisíacas ou muita vegetação exuberante. A baía funciona como um grande manguezal. Suas águas são rasas e na maré baixa uma grande parte do fundo de areia e lama fica exposta na superfície.

Mas é justamente aí que está a riqueza biológica do local, segundo os cientistas. A maior parte das 1,3 mil espécies registradas na baía é do tipo "bentônico", que vive associado ao seu fundo de areia superdiversificado.

"É um ambiente altamente diferenciado, não só no Estado de São Paulo mas em toda a costa brasileira", diz a oceanógrafa Cecilia Amaral, pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora do Projeto Biota/Fapesp Araçá, que envolve mais de 160 pesquisadores e estuda detalhadamente a baía desde 2012. "Tudo que está dito no relatório é com base em dados; não tem nada empírico", garante Cecília, coautora do parecer enviado ao Ministério Público.

Valor cultural. A produção pesqueira do Araçá é de pequena escala, mas de grande importância para famílias caiçaras que se criaram no entorno da baía. Pesca-se lá muito berbigão, siri, camarão e peixes como o parati.

"Aqui é criadouro; dá muita coisa", diz o morador Claudio 'Maresia', que a reportagem encontrou pescando a pé com uma rede no meio da baía. "Só que se botar o porto, ninguém pesca mais nada."

"A baía não está morta, como já disseram. Está viva, linda, e merece ser preservada", afirma a caiçara Ciça Nogueira, de 50 anos, nascida e criada no local. A expansão do porto, diz ela, seria "catastrófica".

A proposta inicial era aterrar a baía. Depois, foi mudada para uma laje suspensa por pilastras - uma opção supostamente menos impactante. Segundo os cientistas, porém, o efeito será quase o mesmo, aniquilando a vida da baía. Alvaro Migotto, do Cebimar, compara a situação a construir uma laje sobre uma floresta. "Você pode não cortar as árvores, mas elas vão morrer do mesmo jeito." / H.E.

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