Especialização obrigatória é criticada

A possibilidade de o governo flexibilizar o programa Mais Médicos, transformando os dois anos extras da formação do profissional em uma residência obrigatória, com especialização em Medicina Pública e Generalista, foi criticada por médicos.

Fernanda Bassette, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2013 | 02h15

De acordo com Carlos Vital, que era o representante oficial do Conselho Federal de Medicina (CFM) na Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), o principal problema é que a legislação que regulamenta a residência médica no País exige supervisão presencial e permanente dos alunos por um tutor. Da forma como a proposta foi apresentada, não ficou claro como esses alunos seriam monitorados pelas instituições.

Além disso, quem define a criação de novas áreas de especialidades médicas é uma comissão que inclui o CFM, a Associação Médica Brasileira (AMB) e a CNRM. Por isso, a criação da residência médica em Medicina Pública e Generalista, em tese, não poderia ser feita por meio de uma medida provisória. "O problema é que primeiro eles apresentam as questões para depois discuti-las. Entendemos a proposta como temerária e de difícil implantação", diz Vital.

Outro problema, diz Beatriz Costa, presidente da Associação Nacional de Médicos Residentes (ANMR), é que a carga horária da residência é composta de 70% de aulas práticas e 30% de aulas teóricas. Beatriz diz ainda que já existe uma residência médica em Medicina de Família e Comunidade, que forma o especialista para trabalhar na rede básica de saúde. "O governo quer transformar o serviço civil obrigatório o maquiando como residência médica. Quem vai garantir a supervisão desses alunos?", diz.

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