Especialistas dizem que falta de estrutura provoca escândalos

A história de Kahn revela as consequências de o setor público não ter no seu organograma funções compatíveis com suas necessidades e salários atraentes para profissionais qualificados. Os arranjos para atrair esses profissionais - seja com assentos nos conselhos das estatais ou consultorias e outras formas de triangulações - os expõem a relações promíscuas que degeneram em escândalos, tornando-os alvo de pressões e dependentes de políticos nos níveis federal, estadual e municipal.

O Estado de S.Paulo

16 Março 2013 | 02h03

Dos 577 mil servidores federais, 88 mil, ou seja, 15%, ocupam cargos de confiança. Em 2002, último ano do governo de Fernando Henrique Cardoso, a relação era parecida: 486 mil servidores, dos quais 69 mil (14%), em cargos de confiança. "Esse tipo de contratação fragiliza a pessoa, que pode ficar de uma hora para outra sem remuneração, e traz gente de fora que não têm compromisso com o serviço público", diz Roberto Kupski, do Fórum Nacional Permanente das Carreiras Típicas do Estado.

Na Prefeitura de São Paulo, dos 139.209 funcionários, 2.327, ou 2%, estão em cargos de comissão e podem ser demitidos a qualquer momento; outros 10.472 (7,5%) servidores da carreira estão em cargos de comissão e 3.163 (2%) são contratados para serviços por tempo determinado, "em caráter de excepcional interesse público". Esses índices baixos escondem outra prática: a maciça prestação de serviços por empresas terceirizadas - o Estado não forneceu dados. "Temos uma defasagem estrutural", diz o coronel José Vicente, professor do Centro de Altos Estudos de Segurança da PM. É ela que abre a possibilidade para arranjos como o de Kahn. / L.S.

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