Especialistas defendem tolerância zero com álcool

Segundo pesquisador, metade das pessoas que morrem em acidentes tem alguma quantidade de álcool no sangue

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

12 Abril 2012 | 03h02

Especialistas em Direito e trânsito acreditam que a aprovação das mudanças na lei seca, conforme estabelecidas ontem pela Câmara dos Deputados, ainda podem ser insuficientes para reduzir as mortes no trânsito. Para eles, o ideal é que a lei deixasse de estabelecer um parâmetro para a embriaguez. Na prática, isso criaria uma tolerância zero.

"Um estudo da (Universidade de São Paulo) USP detectou que 45% dos cadáveres de pessoas mortas em acidentes de trânsito tinham alcoolemia positiva. Em outro estudo, da (Universidade Federal do Rio de Janeiro) UFRJ, 75% tinham alcoolemia positiva. Ou seja, metade das pessoas que morrem em acidentes de trânsito tem álcool no sangue. São dados significativos e mostram a importância de se trabalhar essa questão de dirigir sob influência de álcool", diz Florisval Meinão, presidente da Associação Paulista de Medicina (APM). "Com base nesses dados, nós temos a seguinte posição: não se pode dirigir após consumir álcool. Tem de ser tolerância zero."

Teste compulsório. "O problema é o fato de o teste do bafômetro não ser obrigatório. Deveria ser compulsório. Quem dá o direito de dirigir é a sociedade, então quem sai prejudicado pelo fato de não ser obrigatória a produção de prova contra si é a sociedade", afirma Neuton Dezotti, pós-doutorado em Direito pela Universidade Estadual de São Paulo (Unesp).

Conforme pesquisas realizadas por ele na Unesp, as pessoas estão conscientes do risco que correm ao beber e dirigir. "As pessoas deveriam ser julgadas pela conduta dolosa, de quem sabe o que pode causar, mas com dolo eventual (saber das consequências, mas não se importar com os acidentes que poderiam causar)", diz. "O grande problema dos acidentes é que matam principalmente jovens. Aqui no Brasil, a taxa é de 30 mortes para cada 100 mil habitantes. Nos EUA, é de 12 por 100 mil. É uma epidemia", completa Meinão.

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