Especialistas condenam participação de Nayara na negociação

A amiga de Eloá havia sido libertada por Lindembergue, mas durante a negociação, voltou ao cativeiro

Luiz Raatz, do estadao.com.br,

17 de outubro de 2008 | 22h47

A participação da menina Nayara Rodrigues Vieira, de 15 anos, nas negociações para a libertação de Eloá Cristina Pimentel Rodrigues, da mesma idade, mantida em cativeiro pelo ex-namorado, Lindembergue Alves, foi criticada por juristas e especialistas em segurança pública. O drama acabou nesta sexta-feira, dia 17, com a prisão do rapaz. As duas meninas foram feridas. Nayara levou um tiro no rosto, mas está fora de perigo. Eloá está em estado gravíssimo.   Veja também: Galeria de fotos do seqüestro    Nayara havia sido mantida em cárcere privado com a amiga entre a segunda e a quarta-feira. Libertada, ela voltou à cena do crime para ajudar nas negociações. Segundo o coronel Eduardo José Félix, comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar, a polícia convenceu a menina a ir com o irmão de Eloá até a escada do prédio da CDHU onde ocorreu o crime. Nayara então espontaneamente teria voltado ao apartamento.   Segundo o consultor internacional em segurança Hugo Tisaka, de 37 anos, o Grupo de Ações Táticas foi tecnicamente correto durante toda a operação, mas errou em não prever que a menina poderia trair a confiança dos policiais. "Foi uma atitude arriscada, mas deve ter algum embasamento. Eu acho que a polícia foi enganada pela menina", disse.   O advogado criminalista Guilherme Nostre, de 37 anos, doutor em direito penal pela USP, também criticou a atitude dos policiais. "Foi um procedimento totalmente equivocado", afirmou. "Em nenhuma hipótese poderia ter sido permitido que uma menor de idade tivesse acesso ao local dos fatos". Segundo o jurista, a negociação deveria envolver profissionais ou pessoas da confiança de Lindembergue.   Antes do desfecho trágico da operação, a polícia havia chegado a um acordo com Lindembergue. Ele soltaria as reféns após ter recebido uma garantia de que não sofreria agressões. A polícia invadiu o local, segundo o coronel, depois de ter ouvido tiros. De acordo com Tisaka, os policiais esgotaram todas as possibilidades de negociação.   O consultor em segurança acredita que o que corrobora com a versão da polícia que houve um tiro lá dentro é a falta de sincronia da operação. "É um case que muita gente vai aprender. Um lado sempre vai perder, não tem jeito", disse.   Segundo o advogado, se condenado apenas por cárcere privado, Lindembergue pode pegar de um a três anos de prisão. Com lesão corporal, o crime passa a ser qualificado e passa para de dois a oito anos.

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