Especialistas comemoram novo plano de demolição do Minhocão

Opinião de que via elevada é elemento de degradação do centro de São Paulo é unanimidade

Gabriel Pinheiro, do estadão.com.br

06 de maio de 2010 | 16h48

 

SÃO PAULO - Para especialistas, não há dúvida: o plano para demolição do Minhocão, anunciado pelo prefeito Gilberto Kassab nesta quinta-feira, 6, é uma boa notícia para os paulistanos. A opinião de que a via é um elemento de degradação do centro de São Paulo foi unanimidade entre os três ouvidos pelo estadão.com.br.

 

Veja também:

blog Você é favorável à demolição do Minhocão?

mais imagens Galeria de fotos da via

link Em 1993, Erundina propôs demolição pela 1ª vez

link Plano viário não sai do papel na Água Branca

 

"Havia uma urbanidade ao redor que se perdeu com o Minhocão, um monstro implantado no centro. Foi uma proposta descabida, que representa um momento político", afirma Nilson Ghirardello, vice-diretor da faculdade de Arquitetura da Unesp de Bauru. "Na época, a prioridade era o veículo particular. Hoje, há uma sensibilidade maior para o transporte coletivo", acrescenta.

 

Marco Antônio Ramos de Almeida, superintendente do grupo Viva Centro, afirma que o Minhocão "provocou problemas durante sua construção e provoca até mais problemas depois de pronto." Para ele, há duas soluções para a via. "Uma, em caráter radical, é a demolição. A segunda é uma série de medidas mitigadoras, que não foram pensadas no projeto. Por exemplo, cuidar bem dos baixos do viaduto, com iluminação adequada, policiamento reforçado e calçadas melhores. Isso custaria muito menos."

 

Os dois apontam, porém, que o tráfego na região pode piorar sem a via elevada. "É necessário um projeto ambicioso para resolver a circulação. Isso precisa de muito estudo. Não adianta tirar o Minhocão e piorar a circulação", destaca Ghirardello.

 

Para João Virgílio Merighi, engenheiro de transportes e professor da Unicamp e da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) dará conta da tarefa de reorganizar a circulação. "A engenharia tem solução para isso. A Prefeitura tem equipe, a CET é capaz de solucionar. Vamos ganhar muito", diz. Segundo ele, o problema na proposta é dinheiro. "O prefeito vai ter que envolver a iniciativa privada, o mercado imobiliário, que certamente será beneficiado com a demolição. É um projeto audacioso."

 

Merighi afirma que as vias elevadas como o Minhocão caíram em desuso. "Entre 1950 e 1960, algumas cidades resolveram implantar essas vias. Mas, ao longo dos anos, ficou claro que elas acabam prejudicando a cidade, porque geram um ruído muito forte e trazem degradação à área", explica. "Hoje nós não temos mais esse tipo de projeto no mundo. A não ser que se tenha uma ampla área para implantação, não como no Minhocão, que é muito apertado."

 

Promessas. Apesar de comemorar o plano, Almeida lembra que "a promessa é velha". "Se ficarmos discutindo a demolição por anos, o tempo passa e fica por isso mesmo, como já aconteceu antes. Precisamos de soluções hoje."

Tudo o que sabemos sobre:
Minhocãocentro

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.