Especialista diz que falta definir estratégia para setor aéreo

Falta de definição clara sobre responsabilidades pela crise no setor agravaria a situação

Téo Takar, da Agência Estado,

18 de julho de 2007 | 10h33

A especialista em aviação da Tendências Consultoria, Amaryllis Romano, avalia que o acidente ocorrido na terça-feira, 17, no vôo 3054 da TAM em Congonhas confirma a tese de que falta uma estratégia clara para o setor no País. "O óbvio está aí. Os problemas são maiores do que se imaginava", afirma a analista.   Veja também: Lista das 184 vítimas do acidente Opine: o que deve ser feito com Congonhas? O local do acidente Os piores desastres aéreos do BrasilConheça o Airbus A320 Galeria de fotos Assista a vídeos feitos no local do acidente Conte o que você viu e o que você sabe   Amaryllis considera que um problema sério vivido pelo setor nos últimos meses é a falta da definição clara de quem é a responsabilidade pelos diversos eventos ocorridos durante a crise aérea, desencadeada pelo acidente com o Boeing da Gol, em 29 de setembro de 2006, quando 154 pessoas morreram.   "Afinal, de quem é a paternidade? Da Infraero, da Anac, das empresas, da Aeronáutica? Tudo o problema que não tem dono é mais difícil de resolver", diz a analista. Ela lembra ainda que o governo não possui recursos suficientes para arcar com todos os investimentos necessários para a melhora da infra-estrutura do País.   A analista avalia ainda que o governo tem encontrado dificuldade em atrair investimentos do setor privado para a área. Amaryllis pondera que problemas como o da derrapagem de aviões na pista de Congonhas ou de fechamento do Aeroporto Internacional de São Paulo (Cumbica), em Guarulhos, devido à neblina não eram corriqueiros até pouco mais de um ano.   "Cumbica sempre teve neblina. Nem por isso víamos o aeroporto fechado por tantas horas como recentemente. Isso pode indicar que os equipamentos do aeroporto estão obsoletos", alerta.   "Nunca tive medo de pousar em Congonhas com chuva até pouco tempo atrás. O meu medo era ficar rodando lá em cima. Em tese, a pista era adequada até pouco mais de um ano atrás", acrescentou a especialista, indicando que há várias falhas na melhora recente da infra-estrutura do setor. "O não entendimento da questão da segurança por parte do governo é um assunto muito sério."

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