Especialista defende limite de rodovia na capital: 60 km/h

Marcas de derrapagem na pista, sobretudo nas saídas para estradas,[br]demonstram excessos praticados por motoristas

Renato Machado e Rodrigo Brancatelli, O Estado de S.Paulo

16 Setembro 2010 | 00h00

São 20h50 de segunda-feira na Marginal do Pinheiros e até parece feriado. Sem trânsito, sem buzinas, sem caminhões. A impressão, no entanto, se desfaz apenas 30 minutos depois, no máximo. Os caminhões agora trafegam aos montes, um cortando o outro e apostando corrida com os outros carros. A mudança é reflexo da nova dinâmica dos caminhões em São Paulo, que só podem trafegar pela Marginal do Pinheiros e pela Avenida dos Bandeirantes depois das 21 horas. Em vez de utilizarem o Rodoanel, como o governo esperava, os veículos pesados estão trafegando à noite para evitar pedágios e percursos mais longos.

"Como os caminhões conseguem rodar sem trânsito à noite nas Marginais, eles preferem andar ali a pegar o Rodoanel, que é pedagiado", diz o engenheiro Sergio Ejzenberg, mestre em Transportes pela Poli-USP e especialista em caminhões. A pedido do Estado, Ejzenberg percorreu a Avenida dos Bandeirantes e as Marginais do Tietê e do Pinheiros na noite de segunda-feira. Entre abusos dos caminhoneiros, que se tornam especialmente mais perigosos ante a falta de iluminação da Marginal do Tietê, o especialista afirma que a redução da velocidade nas vias é essencial para evitar acidentes com essa nova dinâmica. Para ele, a velocidade máxima dos caminhões deveria ser 60 km/h nas duas Marginais.

"Como pode uma BR-116 ter velocidade máxima de caminhões de 60 km/h e dentro da capital ser de 90 km/h?", pergunta ele. Um caminhão a 90 km/h passa do lado do carro da reportagem, perto de uma curva na Marginal do Pinheiros, próximo da Ponte Eusébio Matoso. "Eu não faço curva ao lado desse caminhão, nunca, sei que ele pode tombar numa velocidade dessas. Como uma carreta vai frear assim?"

Saídas. Ejzenberg ainda chama a atenção principalmente para as marcas de derrapagem de caminhões na Marginal do Tietê. São dezenas, todas localizadas perto de saídas para as pistas central e local da via.

"São justamente os pontos de decisão, quando o motorista precisa trocar de pista", explica. "Mas, como a sinalização é ruim e ainda não há iluminação, a gente vê todas essas marcas absurdas, que mostram a velocidade que os caminhões estavam. Isso só vai melhorar quando a velocidade máxima da via diminuir (para 60 km/h)."

PARA LEMBRAR

Acidentes neste mês pararam a Pinheiros

A Marginal do Pinheiros registrou, só neste mês, dois acidentes com caminhões que pararam a via. O mais recente foi no sábado, quando um caminhão carregado com um contêiner de frutas tombou perto da Ponte Bernardo Goldfarb, na região do Butantã, zona oeste. Apesar de a ocorrência ter sido de madrugada, por volta de 3 horas, o trânsito ficou complicado praticamente durante toda a manhã.

O outro acidente foi com um caminhão de refrigerantes, que derrubou a carga na pista - os congestionamentos pararam toda a via. Nesse caso, porém, o fato foi pela manhã e, portanto, o caminhão desrespeitava a restrição.

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