Espanhóis vão ajudar a construir o Rodoanel Norte

Resultado da licitação foi divulgado ontem; rodovia deve custar R$ 3,9 bilhões - menos que os R$ 6 bilhões previstos inicialmente

BRUNO RIBEIRO, CAIO DO VALLE, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2013 | 02h02

Empresas espanholas vão construir 21 dos 47 quilômetros do Trecho Norte do Rodoanel Mário Covas e terão participação em outros 14 km. O resultado da licitação para contratar os consórcios que farão as pistas foi divulgado ontem pelo governo do Estado. A promessa é gastar R$ 3,9 bilhões com a obra - 65% da estimativa inicial, de R$ 6 bilhões.

As obras devem começar em fevereiro, segundo o presidente da estatal Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), Laurence Casagrande Lourenço. A expectativa é de que o trecho - o último do Rodoanel - fique pronto no começo de 2016.

Para Lourenço, a participação estrangeira se deve à "competitividade do edital, que permitiu ampla competição, e pela ociosidade das empresas europeias, em especial as espanholas, por causa da crise financeira". "E o Rodoanel é uma rodovia bastante interessante. A obra toda perfaz quase R$ 4 bilhões e, para essas empresas, abre perspectiva de entrada no Brasil, um mercado promissor", analisa.

As empresas estrangeiras são a Acciona Infraestructuras, que levará cerca de R$ 1,4 bilhão, e a Isolux Corsán e a Copasa, que estão no processo em parceria com grupos nacionais. A primeira com o grupo Mendes Júnior, em contrato de R$ 647 milhões, e a segunda com a Construcap, cujo contrato será de R$ 646 milhões. A última vencedora é a nacional OAS, que venceu o processo em dois lotes e receberá R$ 1,2 bilhão.

A obra terá sete túneis, que juntos somam cerca de 6 km. Eles vão ficar sob a Serra da Cantareira. Quando o processo para a contratação das empresas começou, em 2011, a promessa era de que as pistas seriam entregues até 2014, mas questionamentos judiciais ao processo de licitação feitos por empresas derrotadas e necessidade de construção de um consenso com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), financiador da obra, acabaram atrasando o fim da licitação. Com isso, a previsão para término da obra agora é 2016.

Desapropriações. Lourenço disse ainda que cerca de 30% dos proprietários de imóveis que terão de deixar suas casas ou comércios para a construção da obra já foram cadastrados. "A desapropriação dessa obra será feita casada com o ritmo da obra", afirma.

Além deles, há ainda pessoas que vivem na área de influência da obra e não têm a posse do terreno - moradores de áreas irregulares. O presidente da Dersa afirmou que, nesses casos, haverá reassentamento das famílias, que já foram cadastradas. "As famílias já foram visitadas pela Dersa", garante.

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