Espanha prende mais 5 por aliciar brasileiros

Quadrilha traficava nordestinos para se prostituir em Barcelona, Madri e outras cidades do país; adolescente de 16 anos está entre as vítimas

Andrei Netto CORRESPONDENTE PARIS, O Estado de S.Paulo

08 Setembro 2010 | 00h00

A Polícia Nacional espanhola anunciou ontem, em Madri, a prisão de mais cinco sul-americanos acusados de integrar uma quadrilha de tráfico de seres humanos e prostituição que explorava brasileiros na Espanha. A detenção aconteceu em três casas de prostituição da capital e ampliou para 19 o número de pessoas presas, a maioria do Brasil.

O grupo é suspeito de manter uma rede com cerca de 70 garotos de programa brasileiros - entre eles, um adolescente de 16 anos, segundo comunicado dos policiais espanhóis - nas cidades de Palma de Mallorca, Barcelona, Leon, Alicante e Madri. Dos cinco detidos, cujos nomes não foram revelados, dois eram chilenos, um venezuelano, um colombiano e um equatoriano.

A ação policial foi anunciada em comunicado divulgado na manhã de ontem e é a segunda fase de uma operação iniciada há uma semana pela Brigada Central de Redes de Imigração.

As detenções aconteceram em três casas de prostituição de Madri, depois dos depoimentos das vítimas e dos primeiros 14 detidos - dos quais, nove brasileiros. Os testemunhos apontaram ramificações do esquema de aliciamento em Madri.

De acordo com a investigação, os garotos de programa ficavam nos prostíbulos por três semanas, antes de serem transferidos para outras cidades espanholas do norte e do leste do país. Nesse período, eram obrigados a ficar disponíveis para programas 24 horas por dia. Para isso, recebiam um kit com cocaína e medicamentos vasodilatadores, como Viagra, que aumentam a potência sexual. Os jovens eram expostos aos clientes em sites espanhóis "especializados" em prostituição.

Os jovens libertados ontem haviam ingressado na Espanha de forma ilegal, depois de terem sido aliciados em cidades do Nordeste do Brasil, a maior parte no Estado do Maranhão.

Dívida. Além do tráfico de seres humanos e da exploração sexual, o grupo vivia em regime de semiescravidão, já que, ao viajar do Brasil para a Espanha, já contraíam uma dívida de cerca de ? 4 mil relacionada a passagens aéreas, hospedagem e alimentação, que deveriam saldar com trabalho.

Segundo a polícia espanhola, os brasileiros ficavam com 50% do valor dos programas. Além de atuarem na prostituição, os explorados pela quadrilha também eram instruídos a vender drogas aos clientes.

Algumas das vítimas sabiam que iriam para a Europa para se prostituir, mas não tinham noção das condições em que ficariam. Outros jovens viajavam após ser convencidos de que trabalhariam como bailarinos ou modelos. / COM EFE E AFP

PARA LEMBRAR

Brasil e Espanha tiveram uma rusga diplomática em 2008 por causa do excesso de brasileiros barrados ao tentar entrar no país. Segundo a Frontex, agência europeia de controle de fronteiras, 1.842 brasileiros foram barrados em aeroportos da União Europeia entre janeiro e março deste ano, volume 6,3% maior do que o registrado no final de 2009. Segundo as autoridades europeias, os brasileiros barrados não deram garantias de que voltariam ao País e eram suspeitos de tentar entrar de forma irregular. Os policiais aduaneiros são orientados a pedir provas de que o viajante tem dinheiro para sua estada, hotel para ficar e passagem de volta.

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