Espanha critica Brasil por regra de viagem

Secretário de Assuntos Externos do país diz que reciprocidade na entrada de turistas a partir de abril é 'injustificada' e 'além do normal'

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE , GENEBRA, O Estado de S.Paulo

29 de fevereiro de 2012 | 03h09

O governo da Espanha criticou ontem o Brasil por decidir endurecer as condições para entrada de espanhóis no País. Questionado pelo Estado durante evento em Genebra, o secretário espanhol de Assuntos Externos, Gonzalo de Benito, insistiu que Madri tentará reverter as decisões de Brasília antes da entrada em vigor das medidas. E disse que as novas regras, a serem adotadas a partir de 2 de abril, são "injustificadas" e "além do normal".

Adotando o princípio internacional da reciprocidade, os visitantes daquele país que desembarcarem em território brasileiro de abril em diante terão de apresentar comprovantes de reserva de hotéis, passagens de ida e volta e prova de que têm recursos para se manter no Brasil pelo período da estada.

Serão necessários pelo menos R$ 170 por dia por pessoa, o equivalente a cerca de 74. A comprovação poderá ser feita por meio de cartão de crédito internacional, desde que o titular apresente fatura em que conste o limite permitido de gasto.

As exigências são as mesmas feitas pela Espanha para os brasileiros que viajam ao país. Incluem ainda a necessidade de um passaporte com pelo menos seis meses de validade. Aqueles que não planejam hospedar-se em hotéis terão de apresentar uma carta-convite da pessoa que os receberá, com assinatura registrada em cartório e comprovante de residência.

A decisão foi tomada pelo Itamaraty depois de uma série de negociações frustradas para tentar diminuir as dificuldades enfrentadas pelos brasileiros que chegam à Espanha. As discussões binacionais datam de 2008.

Negociação. De acordo com o secretário espanhol, Madri não desistiu e vai continuar a pressionar o governo brasileiro para rever suas leis. "Isso é algo que estamos falando com o Brasil. Claro que cada país pode colocar as condições que quiser para a entrada de pessoas em seu território. Mas entendemos que, diante do conjunto das relações que temos com a América Latina - e em especial com o Brasil -, não se justifica que espanhóis tenham restrições à entrada que vão além do normal e do que tínhamos até agora", declarou o secretário.

Benito defendeu que seja feito um acordo antes do dia 2 de abril. Mas não indicou que estaria disposto a rever as regras para a entrada dos brasileiros. "Esperamos chegar a uma solução, para permitir que o fluxo de intercâmbio continue com normalidade e sem os obstáculos que sejam os minimamente imprescindíveis", disse.

Melhoria. Espanhóis evitam afirmar que a medida brasileira seja agora uma retaliação, após a mudança no fluxo de imigração (veja abaixo). "São medidas que nós (os países) vamos tomando diante dos fluxos que temos. Mas esperamos chegar a uma melhoria nas condições para a entrada de espanhóis no Brasil", concluiu.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.