Esgoto tratado cresce 25% em 5 anos no Estado

Atualmente, dejetos de 51% das residências ainda vão para os rios; neste ritmo, índice somente será zerado em 25 anos

ARTUR RODRIGUES, RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

21 Março 2012 | 03h03

O total de domicílios com esgoto tratado cresceu de 39% para 49% no Estado de São Paulo, entre 2004 e 2009. O índice significa expansão de 25% em 5 anos. Há regiões paulistas, porém, onde apenas 4% do esgoto recebe tratamento e todo o resto dos dejetos cai nos rios. Caso o porcentual médio continue a avançar no ritmo de dez pontos porcentuais a cada cinco anos, São Paulo levará mais 25 anos para ter 100% do esgoto tratado.

Os dados estão no relatório Situação dos Recursos Hídricos do Estado de São Paulo, divulgado ontem pela Secretaria de Estado de Saneamento e Recursos Hídricos. As informações mais recentes são do ano de 2009 e evidenciam as desigualdades nos índices de coleta e de tratamento dos dejetos nas diferentes regiões paulistas.

A Bacia Hidrográfica da Serra da Mantiqueira é a que tem o menor índice de tratamento: 96% do esgoto gerado por seus 64,3 mil habitantes não é tratado antes de ser despejado nos rios. A região é composta por três cidades, todas importantes polos turísticos: Campos de Jordão, Santo Antônio do Pinhal e São Bento do Sapucaí.

A região da Serra da Mantiqueira é também uma das piores quando o assunto é a destinação de detritos - apenas 15,2% dos resíduos domésticos são dispostos em aterros adequados, o que contribui para a contaminação dos lençóis freáticos, mostra o relatório do governo.

Em segundo e terceiro lugares estão outros polos turísticos: a Baixada Santista, com 1,6 milhão de habitantes e 9% de tratamento de esgoto, e a bacia do litoral norte, onde moram 275 mil pessoas e o índice de tratamento é de 34% (leia mais abaixo). Números como esses chamam ainda mais a atenção se comparados com o maior exemplo positivo, a Bacia de São José dos Dourados, no oeste paulista, onde 97% do esgoto gerado pelos 223 mil habitantes é tratado.

O membro do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), Carlos Bocuhy, afirmou que há um descompasso entre os municípios e as outras esferas do poder público para resolver a questão do tratamento de esgoto. "O caso do Rio Tietê é um exemplo. São Paulo tratou o esgoto, mas outros municípios não fizeram o mesmo", disse.

Segundo ele, o investimento em saneamento ainda é baixo se comparado com outras áreas, como a de transportes. "Investem naquilo em que há mais visibilidade. É só comparar o quanto se investe na construção de estradas para automóveis, o que é poluente", afirmou o especialista.

Obras. Para o secretário de Estado de Saneamento e Recursos Hídricos, Edson Giriboni, os investimentos têm crescido nas regiões apontadas como mais críticas. "O relatório é como um check-up da situação do Estado no ano de 2009. Estamos avançando, mas ainda temos de melhorar muito no que diz respeito ao saneamento. O governo nunca negou isso."

Giriboni disse que o Programa Onda Limpa investe R$ 1,9 bilhão desde 2007 no litoral paulista. "Nos próximos anos, o meio ambiente e, principalmente, a população vão sentir os resultados desses investimentos", afirmou o secretário.

O secretário executivo do comitê da Bacia do Mantiqueira, Fabrício César Gomes, afirmou que o nível de esgoto tratado deve mudar bastante a partir de 2013. "Duas novas estações de tratamento, uma em Campos do Jordão e outra em São Bento do Sapucaí, estão sendo construídas e devem estar prontas no ano que vem."

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