Escutas mostram criminosos do PCC planejando execução de policial militar

Em ligações obtidas pela polícia, homens do crime organizado discutem o crime contra o PM Flavio Adriano do Carmo, de 45 anos, morto com dois tiros de fuzil em 13 de outubro

William Cardoso, de O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2012 | 01h22

A 5ª Delegacia do Patrimônio (roubo a banco), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), acompanhou integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), por escutas telefônicas, planejando a execução do policial militar Flavio Adriano do Carmo, de 45 anos, morto com dois tiros de fuzil em 13 de outubro, em frente a uma padaria no Parque Santo Antonio, na zona sul de São Paulo.

 

No meio da tarde, um criminoso identificado como Chaveiro fala com Cacha, um comparsa, sobre as dúvidas a respeito da identificação do alvo - se seria ele mesmo o PM a ser morto.

 

Chaveiro: E aí, criança, o Bico (PM) está aqui, mas não sabemos se é ele... tem que ver um cara conhecido... Ele parece, cabelo grisalho, de lado, meio quadradinho...

Cacha: É coroa?

Chaveiro: É... entendeu?... a Blazer está aqui, é o seguinte... tem uma base (PM) aqui na padaria...

Cacha: A caminhada é a seguinte... Eu vou ligar pro Japa... aqui pra ver...

Chaveiro: Liga pro Japa irmão, que nós vamos voltar para a quebrada... nós já passamos uma vez... tá eu e o Dugui aqui, nós vamos para a quebrada...porque o "Cigano" está esperando ali... vamos voltar aqui de novo com o Adidas...aí é o ultimo...aí nós vamos ficar na bala ali, que é hoje...

 

Durante a tarde, eles comentam sobre a atuação da polícia nas proximidades do local do ataque. Também combinam o momento de se encontrar e quais armas deveriam levar para a empreitada.

 

Chaveiro: Ô irmão... deixa eu falar uma caminhada... nós estamos todos aqui, tá ligado irmão?... naquela cantoneira lá...

Cacha: Qual do Dugui?

Chaveiro: É ... do Dugui não, na nossa...só que é o seguinte, eu fui lá...nós trombamos lá a Blazer verde, com um Bico semelhante ao Bico lá, mas não tinha o cabelo...não era muito coroa...

Cacha: Deixa eu falar uma caminhada...Eu vou ligar pro Brou lá que...

Chaveiro: As ideias é essa, nós não sabemos que é o Bico, entendeu?

Cacha: Eu vou ligar pra ele agora, espera aí...

Chaveiro: Já passa lá que nós encostamos lá... foi eu, o Cigano, o Adidas e o Dugui, nós estamos todos lá agora, voltamos agora...sabe por quê?...os caras (PM) tão enquadrando todo mundo que desce ou sobe lá...cheio de Rocam (policiais de moto) e a base lá (base móvel da PM)... o pessoal veio de moto lá agora, o Adidas e o Cigano...entendeu irmão?

Cacha: Entendeu

Chaveiro: Você liga lá no "Japa" e vê esta bala lá irmão.

Cacha: Firmeza.

 

Por fim, após a morte do PM, o líder do bando, Leandro Rafael Pereira da Silva, o Léo Gordão, de 28 anos, diz para um comparsa: "Já era... tudo tranquilo".

 

Léo Gordão: Aí...amanhã eu passo o número novo...já era...tudo tranquilo.

Cacha: ...é nós então.

 

Prisão. Em 14 de novembro, Léo Gordão foi preso pelo Deic. Além de Carmo, ele também é acusado de matar outro PM, Renato Ferreira da Silva Santos.

 

Um dos integrantes de sua quadrilha, Wellington Viana Alves, o Baré, de 32, também foi detido. A polícia procura agora as demais pessoas citadas durante as escutas que mostram como foi planejada a morte do PM.

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