Escrivão mata tenente do Exército em Alphaville

Crime aconteceu durante festa de Natal em condomínio de luxo; Corregedoria da Polícia Civil, que prendeu agente em flagrante, apura causa de briga

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2012 | 02h04

Uma briga em uma festa de Natal na madrugada de ontem, em Alphaville, em Santana de Parnaíba, acabou com a morte de um militar do Exército. O tenente licenciado Maurílio Figueira Pereira, de 28 anos, foi baleado no abdome por um escrivão da Polícia Civil e morreu no hospital. O agente foi preso em flagrante pela Corregedoria da polícia.

O tenente e o escrivão Bruno Martinez Silveira, também de 28 anos, eram convidados de uma festa no condomínio. Eles discutiram por volta das 4h30 de ontem em uma casa na Alameda Tasmânia. Ainda não se sabe o que causou a discussão entre os dois. Silveira, que está há pouco mais de uma ano na Polícia Civil, teria ido até seu carro, um EcoSport. Ele teria tentado atropelar o tenente licenciado do Exército. Em seguida, sacou sua arma e disparou três vezes.

Ele acertou duas balas no abdome de Pereira e, por acidente, a própria perna. À Corregedoria da Polícia Civil, o escrivão disse que se defendeu depois de ser agredido. Segundo testemunhas, apenas ele estava armado.

Houve pânico entre os convidados da festa, que chegaram a quebrar a cancela do condomínio. Quando a Polícia Militar chegou ao local para atender à ocorrência, os feridos já haviam sido encaminhados para unidades médicas.

Pereira foi levado de helicóptero para o Hospital Alvorada, na zona sul de São Paulo, onde morreu na manhã de ontem. O escrivão foi encaminhado para o Hospital Central de Barueri, onde permanecia internado até a noite de ontem.

Flagrante. Contatado pela Polícia Civil, o Comando Militar do Sudeste informou que o tenente Pereira estava licenciado desde 2011. Em entrevista à TV Globo, o delegado corregedor Bruno Silva Amato afirmou que o escrivão foi autuado em flagrante sob a acusação de homicídio doloso - quando há a intenção de matar. Amato disse que tomou a decisão depois de ouvir testemunhas e recolher as provas do caso do condomínio.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a Corregedoria da Polícia Civil foi até o condomínio recolher imagens das câmeras de vídeo que tenham filmado a discussão e os disparos. A perícia também deveria fazer exames residuográficos nos envolvidos para saber se havia vestígios de metais como cobre e chumbo nas mãos de ambos. Os exames devem ficar prontos em um mês.

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