Escritório no centro do Rio só é possível reformando prédio

Edifício Galeria, de 1925, que reabre hoje após 2 anos de obras, é o exemplo mais recente de retrofit na cidade

Felipe Werneck/RIO , O Estado de S.Paulo

23 Novembro 2011 | 03h04

Um dos resultados da disputa por escritórios de alto padrão e da falta de espaços disponíveis no centro do Rio foi o crescente interesse de empresas na adequação de prédios antigos a novas funções, com a manutenção de características originais. O exemplo mais recente é a reforma do Edifício Sul América, inaugurado em 1925 e comprado em 2007 pela Tishman Speyer. O presidente da empresa, Daniel Cherman, diz que o chamado retrofit é a única opção na região.

A taxa de imóveis comerciais vagos no centro do Rio caiu de quase 30% há dez anos para 2,9% em 2011. Paralelamente, o valor médio do metro quadrado na região mais que dobrou na década e hoje chega a R$ 140.

"Não existem outros terrenos, a não ser no projeto da prefeitura para a zona portuária", diz Cherman, citando a promessa para 2016. No material de divulgação, a Tishman Speyer compara o retrofit do prédio, que ocupa um quarteirão, a processo semelhante realizado pela empresa em construções históricas de Nova York, como o Rockefeller Center e o Chrysler Building. Rebatizado como Galeria e reaberto ontem, após investimento de R$ 200 milhões e dois anos de obras, o prédio foi projetado pelo arquiteto francês Joseph Gire, também responsável pelo Copacabana Palace, e pelo escocês Robert Prentice, que assinou o projeto da Central do Brasil.

De acordo com pesquisa da consultoria imobiliária CB Richard Ellis, o centro do Rio deve receber 60 mil m² "retrofitados" até o fim do ano, três vezes mais do que em 2010. Outros exemplos recentes são os Edifícios Serrador e Amarelinho, na Cinelândia. "Aproveitar prédios antigos foi uma necessidade. Com as operações na Bacia de Campos, mais de cem multinacionais abriram escritórios no Rio em uma década", diz o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Conde Caldas.

O superintendente regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Carlos Fernando Andrade, elogiou o retrofit do Galeria e lembrou que nem todo prédio pode receber esse tipo de intervenção. "A política de preservação do patrimônio deve ter esse olhar duplo: proteger o que deve ser protegido e não impedir, onde for cabível, as alterações essenciais para a modernização e utilização dos prédios."

A porta do antigo cofre da Sul América, que ficava no subsolo, e três painéis art déco do artista Hildegardo Leão Veloso foram levados para o hall de entrada. 

  

 

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