Escritor Wilson Bueno é assassinado em Curitiba

Ele foi morto em casa, com duas facadas no pescoço; segundo a polícia, o assassino era alguém conhecido, pois não havia sinais de arrombamento

Evandro Fadel, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2010 | 00h00

CURITIBA

O escritor Wilson Bueno, de 61 anos, foi encontrado morto, com duas perfurações de faca no pescoço, por volta das 19h30 de segunda-feira, em sua casa na Vila Tingui, em Curitiba. A perícia acredita que ele estava morto havia pelo menos 12 horas. Ele foi enterrado na tarde de ontem.

"Provavelmente foi morto sem possibilidade de reação", disse o delegado de Furtos e Roubos de Curitiba, Silvan Rodney Pereira. O delegado trabalha com a hipótese de latrocínio. Alguns objetos, como um telefone celular e uma máquina fotográfica, estão desaparecidos. O andar superior da casa estava revirado, com marcas de pés descalços feitas com sangue, o que leva a polícia a acreditar que a pessoa estivesse procurando alguma coisa de mais valor.

Pereira disse que provavelmente o assassino era conhecido do escritor, porque não havia sinal de arrombamento. No escritório de Bueno foi achado um talão de cheques. No canhoto havia anotação de um cheque de R$ 130 repassado a uma pessoa, da qual a polícia tem só o prenome, com data de segunda-feira.

Segundo amigos e vizinhos, Bueno ocupava aquela casa havia cerca de dez anos e, morando sozinho, tinha uma rotina bastante discreta. Uma das paixões era a escrita, o que fazia normalmente à noite. "Era uma pessoa de extrema educação, prestativa, de quem não se pode falar nada", afirmou um dos vizinhos, Carlos Afonso Schambeck.

Irmão adotivo de Bueno, João Santana encontrou-o morto. "Foi uma cena terrível", relatou. Segundo ele, a governanta, Jacinta Brek, que trabalhava com o escritor havia cerca de sete anos, estava cumprindo o último dia no emprego, pois pedira demissão para cuidar da saúde. Ela chegou pela manhã e encontrou o portão sem o cadeado, mas não estranhou porque às vezes o próprio Santana chegava cedo e fazia café ou outro serviço. A porta da casa também estava aberta e ela encontrou o computador no chão, mas achou que iria para o conserto.

Como o escritor aproveitava a noite para trabalhar, acabava dormindo até por volta das 16 horas. Ela só ia ao segundo andar se Bueno a chamasse.

Antes de ir embora, às 17 horas, ela ligou para a casa de Santana. Ele telefonou para uma vizinha, que o informou que todas as luzes da casa estavam apagadas. Imediatamente, ele foi para a casa e encontrou Bueno no meio de muito sangue.

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