Escolas de SP e Rio dizem ter sofrido calote

Vila Maria e Inocentes de Belford Roxo, que cantam a imigração coreana, agora cobram promessa de apoio financeiro

HELOISA ARUTH STURM / RIO, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2013 | 02h03

Enquanto a maioria das escolas de samba desfila seus enredos patrocinados no carnaval deste ano, duas agremiações - uma do Rio e outra de São Paulo - viram a promessa de apoio não se concretizar da forma que esperavam. A Unidos de Vila Maria, escola paulistana da zona norte, e a Inocentes de Belford Roxo, que ingressa pela primeira vez no Grupo Especial carioca, trazem em comum não só o enredo como a ausência da tão esperada ajuda financeira.

Desfilando os 50 anos da imigração coreana no Brasil, elas acharam que teriam apoio da Associação Brasileira dos Coreanos (ABC). Cifras foram citadas: R$ 2,8 milhões para a Inocentes, R$ 2 milhões para a Vila Maria. A entidade, no entanto, nega veementemente que tenha prometido tais valores e afirma que o apoio se daria por meio da apresentação das escolas a empresas e comerciantes ligados à ABC - ou com origens coreanas que poderiam se interessar.

Os presidentes das duas agremiações dizem que foram procurados pela associação no meio do ano passado e receberam a sugestão para o enredo. Paulo Sérgio Ferreira, que também é presidente da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, afirma que a Vila Maria abriu mão de dois patrocínios - um de uma vinícola e outro de uma cidade paulista - para cantar hoje no Anhembi o enredo Made in Korea. Já Reginaldo Gomes diz que a Inocentes, que já estava para anunciar seu enredo, guardou o tema para um próximo carnaval e decidiu usar o sugerido pela ABC, levando amanhã para a Sapucaí As Sete Confluências do Rio Han. "A gente teve de repactuar alguns contratos e todos ficaram sabendo do que a gente chama de um verdadeiro calote", disse Gomes.

Segundo o presidente da Inocentes, a escola bancou R$ 40 mil em visitas e eventos, entre eles a celebração de uma carta de intenções para formalizar o apoio, e não saiu para captar dinheiro porque representantes da ABC teriam dito que isso seria responsabilidade deles - e o recurso viria pela Lei Rouanet. A escola gastou cerca de R$ 6,5 milhões no carnaval deste ano.

A Unidos de Vila Maria vai levar ao Anhembi um desfile orçado em R$ 3,6 milhões. Ferreira diz que a falta da verba prometida comprometerá o carnaval de 2014. "A escola acabou investindo muito, mas tem crédito no mercado e continua honrando seus compromissos", disse. No fim do ano, as duas escolas publicaram em seus sites nota rescindindo a parceria.

Viagem. De acordo com o vice-presidente da ABC, o advogado Marcelo Choi, nunca houve qualquer promessa do tipo e a associação pagou apenas viagem e estadia para que integrantes das escolas pudessem conhecer melhor o país asiático. "Essa parceria foi cultural. Até porque a associação é sem fins lucrativos e não tem capacidade para financiar um evento desse porte".

Apesar dos desentendimentos, as duas escolas prometem fazer uma bela homenagem ao cinquentenário da imigração coreana no Brasil.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.