Escolas atingidas por fogo vão receber R$ 3 milhões

Grande Rio terá ajuda de costureiras de cidade homenageada no enredo; fantasias vendidas para turistas foram salvas

Pedro Dantas e Alfredo Junqueira, O Estado de S.Paulo

09 Fevereiro 2011 | 00h00

A corrida contra o tempo das escolas de samba atingidas pelo incêndio de segunda-feira na Cidade do Samba começa hoje. A Acadêmicos do Grande Rio, agremiação que perdeu 98% das fantasias e todos os carros alegóricos, pretende refazer 3 mil fantasias e reconstruir até três carros. A União da Ilha inicia, na próxima semana, os trabalhos para recuperar as 3,2 mil fantasias perdidas. Também prejudicada, a Portela vai manter todas as atividades que havia programado.

A Prefeitura do Rio divulgou que ajudará as escolas com R$ 3 milhões - R$ 1,5 milhão para a Grande Rio e R$ 750 mil para Portela e União da Ilha.

Anteriormente orçado em R$ 10 milhões, o carnaval da Grande Rio vai apresentar o enredo "Y-Jurerê Mirim, a encantadora Ilha das Bruxas", em homenagem a Florianópolis (SC). Os trabalhos serão feitos em um barracão cedido pela União da Ilha. Para ajudar na reconstrução do desfile, a prefeitura da capital catarinense pretende organizar um show com artistas de todo o País, com renda destinada à Grande Rio. Além disso, escolas de samba locais devem disponibilizar costureiras para ajudar a refazer as fantasias.

O Ministério Público do Rio disse que vai apurar se houve falha no sistema de prevenção.

Vendas. No quintal de uma casa simples de São João de Meriti, as cem fantasias montadas pela costureira Nilcean Souza estão quase prontas, recebendo os últimos acabamentos antes do desfile da Grande Rio. Distantes do barracão destruído pelo fogo na Cidade do Samba, as peças estão entre as poucas que não se perderam no incêndio, mas só vestirão quem estiver disposto a pagar R$ 550 para entrar na avenida.

Confeccionadas em pequenos ateliês terceirizados, praticamente todas as roupas criadas para as chamadas "alas comerciais" resistiram ao desastre. As peças são feitas por costureiras contratadas pelos diretores de cada ala e as fantasias são vendidas por até R$ 2 mil.

Apesar da tragédia, a esperança é que o trabalho nos ateliês das alas comerciais dê um fôlego extra às escolas, que terão a chance de desfilar com pelo menos uma parcela das fantasias originais. No caso da Grande Rio, 900 fantasias das alas comerciais se salvaram.

A ala que representa a Festa da Tainha de Santa Catarina já teve 70 fantasias vendidas, mas a procura parou desde o incêndio e três pessoas desistiram de desfilar. "Acredito que ninguém vai querer mais comprar porque a escola não vai mais disputar o título. Se as últimas fantasias não forem vendidas, vou doá-las à comunidade", afirma Kátia Costa, presidente da ala.

O balanço do incêndio de anteontem mostra que o episódio prejudicou principalmente os moradores das comunidades. Sem condições de pagar pelas fantasias, eles costumam receber as roupas de graça para poder desfilar - essas foram todas destruídas pelo fogo. / COLABOROU BRUNO BOGHOSSIAN

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