Escola onde menino foi morto em Embu retoma aulas nesta terça

Miguel, de 9 anos, foi morto dentro de uma sala de aula com um tiro à queima roupa na semana passada; suspeito de ter feito o disparo tem a mesma idade e deve ser ouvido por psicólogos

Josmar Jozino e Julia Baptista, para o estadão.com.br,

04 de outubro de 2010 | 14h15

SÃO PAULO - Segundo a assessoria de imprensa do Colégio Adventista de Embu das Artes, em Embu, na Grande São Paulo, as aulas, que foram suspensas na semana passada, serão retomadas nesta terça-feira, 4. A escola foi fechada depois que o estudante da quarta série, Miguel Cestari Ricci dos Santos, de 9 anos, foi alvejado à queima roupa dentro de uma das salas de aula da escola.

 

A polícia suspeita que um tiro acidental disparado por um colega da mesma idade tenha matado o menino. Desde o início da manhã desta segunda-feira, o colégio promove uma reunião entre os pais de alunos, que estão recebendo orientações, dando informações e sendo ouvidos pela diretoria.

 

Psicólogo. A Polícia Civil quer que o menino de 9 anos suspeito de matar acidentalmente o colega de classe passe por avaliações psiquiátricas e psicológicas. "Vamos encaminhar o pedido nesta semana para a Vara da Infância e da Juventude de Embu", disse o delegado Pedro Arnaldo Buk Forli, do Setor de Homicídios da Delegacia Seccional de Taboão da Serra.

 

Para o delegado, é necessária uma intervenção na vida psicossocial do menino. "Psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais precisam analisar e estudar essa criança. Mas não para fins de internação. São técnicos especializados da Vara da Infância e da Juventude, com certeza saberão se o menino atirou acidentalmente e chegarão à verdade."

 

O psiquiatra forense Guido Palomba disse que os pais do menino é que deveriam ser ouvidos. A criança é inimputável e mistura fantasia e realidade. "Os pais têm de contar o que aconteceu. Devem ser chamados à responsabilidade e explicar como o filho arrumou a arma. O menino que matou e o que morreu são vítimas", argumentou Palomba.

 

Suspeito. A Polícia Civil ouviu os pais do menino. Eles negaram o envolvimento do filho e disseram que nunca tiveram arma. Mas, para a polícia, depoimentos de testemunhas reforçam os indícios de que o suspeito atirou em Miguel. Dois colegas de classe viram ele e Miguel entrando na sala após atividade no pátio. Uma menina ouviu um disparo e em seguida viu o suspeito deixar a classe e esconder a arma na mochila.

 

O uniforme e a mochila do suspeito foram apreendidos e serão periciados para saber se neles há vestígio de pólvora. "Temos convicção de que ele atirou acidentalmente e está mentindo. Não temos provas e os pais dele não colaboram", acrescentou Forli.

Tudo o que sabemos sobre:
Grande São PauloEmbuescola

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.