Tulio Kruse
Tulio Kruse

Escola fecha para aulas noturnas nesta sexta após chacina

Dez funcionários esperavam, em colégio trancado, por 240 alunos que não apareceram no Jardim Munhoz Júnior, em Osasco

Tulio Kruse, O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2015 | 21h40

Os portões da Escola Estadual Francisco Matarazzo Sobrinho estavam fechados na noite desta sexta-feira, mas dez funcionários esperavam os alunos do período noturno, amedrontados após a chacina que matou 19 pessoas e feriu sete na região norte de Osasco. Os ataques que aconteceram a poucos quarteirões de distância do colégio, no Jardim Munhoz Júnior. Cerca de 240 alunos deixaram de ir às aulas à noite, apesar de a escola ter decidido manter as atividades.

Enquanto a maior parte da região norte de Osasco teve comércios abertos normalmente durante a noite, no Jardim Munhoz Júnior as ruas estavam vazias. Os professores esperavam a direção da escola liberá-los para seguir de volta para suas próprias casas, o que aconteceu por volta das 19h30, quando a reportagem do Estado estava no local. "A hora que a gente sair, quem é que vai garantir nossa segurança?", perguntou um dos professores, que não quis se identificar.

Os funcionários da escola reclamam do pouco policiamento no bairro onde o caso mais violento da chacina aconteceu. Em um bar da rua Antônio Benedito Ferreira, oito pessoas foram mortas e duas ficaram feridas. A escola está em uma área próxima a duas favelas de Osasco. "Durante o dia inteiro, não vi nenhuma viatura da polícia passando por aqui", diz a vice-diretora, Neuza Sartori. "Numa situação dessas, eu não deveria ter que pedir mais policiamento para a escola."

Outras escolas públicas decidiram manter as portas abertas e não alterar as aulas previstas para a noite de sexta-feira, 14, na região. De acordo com um professor, que não quis se identificar, um aluno e um ex-aluno da Escola Estadual Francisco Matarazzo Sobrinho estão entre as vítimas dos ataques.

Enquanto os assassinatos estavam acontecendo durante a noite de quinta-feira, as notícias começaram a chegar por meio dos alunos. Pais começaram a ligar para os filhos na escola e vieram imediatamente buscá-los. "foi um clima de pânico geral, mas por volta das 21h não havia mais cima para ficar e cancelamos as duas últimas aulas da noite", disse o professor de filosofia Roger Nina. "Orientamos os alunos a sair em segurança, andarem em grupos", ele disse. A maioria dos estudantes foi levada pelos próprios pais.

Comércio. A maior parte da zona norte de Osasco, onde 15 pessoas morreram na noite de quinta-feira, tinha comércios funcionando normalmente e clima de relativa normalidade até as 20h de sexta.

O corredor comercial da Avenida Presidente Médici, próximo ao bairro Rochdale - onde houve um dos assassinatos -, lojas e lanchonetes funcionavam como em uma noite qualquer. Gerente de uma loja de roupas, Ângela Aleixo disse que a rotina foi normal durante o dia. "Não jouve nenhuma informação séria, que veio da Policia, dizendo que a gente deveria fechar, então se os funcionarios e is clientes agora estão em segurança, nós vamos funcionar normalmente", disse a gerente.

A situação era diferente apenas próximo ao bar onde oito pessoas morreram, no primeiro ataque de quinta-feira. Em frente à Escola Estadual Francisco Matarazzo Sobrinho, uma oficina mecânica era um dos únicos pontos ainda em funcionamento às 19h30. Os vizinhos fecharam as portas com medo de que a violência continue. Um dos funcionários da oficina, que não quis ser identificado, disse que um toque de recolher foi anunciado para as 20h.


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