Google Street View/Reprodução
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Escola de Campinas tem 42 casos de covid e fecha após volta às aulas

Vigilância sanitária diz que surto teve origem em treinamento de professores em que houve ‘quebra das medidas de barreira’; ao menos quatro colégios da cidade registraram infecções

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2021 | 16h08
Atualizado 03 de fevereiro de 2021 | 21h49

Ao menos três escolas privadas e uma pública de Campinas registraram casos de covid-19 após a retomada dos trabalhos presenciais, no fim de janeiro. A situação mais grave foi registrada no colégio Jaime Kratz, com 37 funcionários e cinco alunos infectados pelo coronavírus

Em nota, o colégio Jaime Kratz confirmou os casos e disse que uma professora está internada, em quadro estável. Após a confirmação, as aulas presenciais foram suspensas na segunda-feira, 1º, até 18 de fevereiro.

Com 1,3 mil alunos, a escola estava com aulas presenciais desde 25 de janeiro, com rodízio de 35% dos estudantes por dia, conforme as regras do governo estadual. “A direção da escola reforça que adotou todas as medidas de segurança como distanciamento social, uso de máscara e álcool em gel, além da desinfecção diária da unidade escolar”, justificou-se no comunicado. 

Nas redes sociais, a instituição tem compartilhado postagens de pais e alunos em apoio à instituição. Conforme a Vigilância Sanitária de Campinas, o surto entre os professores teve origem na semana anterior à volta às aulas, “em reuniões de treinamento e planejamento onde ocorreram as quebras das medidas de barreira”.

Já o Colégio Farroupilha, de educação infantil e fundamental, registrou a contaminação de uma professora e uma aluna, filha da docente, após o retorno ao ensino presencial, em 26 de janeiro, em formato de rodízio. Como prevenção, decidiu suspender as aulas presenciais na terça-feira, 2, até o dia 14. 

"Todos os protocolos de segurança e higiene foram e continuam sendo adotados, rigorosamente", afirmou, em nota. Segundo a Vigilância Sanitária da cidade, o caso não se trata de um surto e a escola está sendo monitorada.

Após o registro dos casos, o promotor Rodrigo Augusto de Oliveira, do Ministério Público de São Paulo, pediu esclarecimentos às duas escolas na terça-feira, 2. Dentre as informações solicitadas, que devem ser respondidas em 10 dias, estão os protocolos de segurança sanitária adotados para prevenção à disseminação do coronavírus. À Vigilância Sanitária, foi solicitada vistoria em ambas, com envio dos respectivos relatórios.

Além delas, o Colégio Múltiplo, de educação básica, registrou um caso, cuja investigação da vigilância municipal constatou “transmissão domiciliar”. “Por enquanto, não há outras pessoas suspeitas na escola”, informou a gestão municipal. A reportagem procurou o colégio e, até o momento, não obteve retorno.

Há, ainda, o registro de um caso na Escola Estadual Deputado Eduardo Barnabé, também em Campinas. Segundo a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, a coordenadora da unidade teve resultado positivo para o teste de covid-19 e foi afastada, assim como outros quatro funcionários que ela teve contato.

"A escola está seguindo todos os protocolos definidos pelo Centro de Contingência para garantir a segurança de todos alunos e professores", destacou em nota. "Até o momento, não houve transmissão dentro das escolas e o plano para volta às aulas no dia 8 de fevereiro segue normalmente."

Na rede de ensino municipal, a Prefeitura anunciou há duas semanas o adiamento da volta às aulas presenciais, antes prevista para 8 de fevereiro, para 1º de março, caso esteja na fase amarela do Plano São Paulo, o programa estadual de reabertura econômica da gestão João Doria (PSDB). Campinas é a segunda cidade com mais casos (52.140) e a terceira em óbitos (1.658) no Estado.

O governo paulista autorizou a reabertura dos colégios mesmo que as regiões estejam nas fases vermelha e laranja, as mais restritivas do Plano São Paulo. Nesses casos, um terço dos alunos pode frequentar as classes presenciais a cada dia, com o complemento de atividades remotas. A Secretaria da Educação chegou a defender a obrigatoriedade da presença das crianças e adolescentes nas escolas nas fases vermelha e laranja, mas recuou no fim de janeiro, diante do aumento de infecções no Estado. 

Especialistas em educação defendem prioridade na reabertura de escolas

Especialistas em Educação têm apontado que o longo período de afastamento das escolas traz prejuízos socioemocionais e de aprendizagem às crianças e jovens, principalmente entre os mais vulneráveis. Segundo eles, é preciso priorizar a retomada das atividades presenciais na educação e não a abertura de outros serviços, como bares e academias.

Na Europa, governos mantiveram colégios abertos mesmo em parte dos períodos de lockdown, por entendimento sobre a importância das classes. Parte dos professores no Brasil, por sua vezes, resiste à volta por medo da contaminação e o sindicato docente da rede estadual cogita entrar em greve.

Na área de Saúde, especialistas se dividem. Parte destaca evidências científicas sobre a segurança do retorno com protocolos sanitários e o baixo risco de infecção entre os mais novos. Outros especialistas veem chance de transmissão maior com o aumento da circulação da comunidade escolar, incluindo professores, funcionários e famílias dos alunos. 

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