Filipe Araujo/AE
Filipe Araujo/AE

Escola cria rota para aluno fugir de ''noia'' no centro

Estudantes são assediados e até agredidos por usuários de crack que deixaram a Praça Júlio Prestes e se espalharam pela região

Marici Capitelli, O Estado de S.Paulo

16 Fevereiro 2011 | 00h00

Crianças e adolescentes precisam passar por um batalhão de drogados para chegar à Escola Estadual João Kopke, na Luz, região central. Pais dizem que os alunos são ameaçados - alguns já tiveram celulares roubados - e afirmam que a direção chegou a orientá-los sobre uma "rota segura".

Os pais dizem que a presença dos drogados se intensificou perto da escola desde outubro, após a demolição da antiga rodoviária na Praça Júlio Prestes, onde ficavam os viciados. Eles foram para a Rua Helvétia com a Alameda Cleveland, esquina por onde os alunos passam para ir ao colégio.

Segundo os pais, a rota segura proposta pela direção da escola é seguir pela Avenida Rio Branco, entrar na Rua Ribeiro da Silva (que conta com vários seguranças particulares), depois na Alameda Cleveland e sair na frente da escola. Por aí, o estudante evita entrar na Avenida Duque de Caxias, na Helvétia e na Alameda Nothmann.

"A rota é muito longa, não faz sentido. Nós já caminhamos desde o Bom Retiro. Por esse caminho vamos gastar meia hora a mais", reclamou Júlia de Souza Claro, mãe de uma menina de 14 anos. Como ela, outros pais acompanham os filhos adolescentes por medo dos "noias". A dona de casa Rita de Cássia Gracioso Cavalcante, de 44 anos, também não concorda com a "rota segura" proposta pela escola. "Além do trajeto ficar mais longe de casa, temos o direito de ir e vir pelas ruas do bairro."

Na sexta-feira, um adolescente de 14 anos foi assaltado quando seguia para a escola. Ele estava na Avenida Rio Branco. Segundo o garoto, cinco homens o ameaçaram com facas e revólveres e o fizeram entregar tênis, celular e documentos. "Foi horrível. Passou um caminhão com garis, que pediram para que eles me deixassem em paz. Um apontou o revólver para o gari."

O zelador Claudionor Ferreira da Silva, de 51 anos, acompanha a filha e duas sobrinhas todos os dias até a escola. "Minha sobrinha teve o celular arrancado por um desses noias." Para Silva, além da ronda escolar, a escola deveria ter seguranças.

Uma estudante de 14 anos conta que já faltou à aula por medo dos viciados. "Eles incomodam muito. Um dia pediram dinheiro, nós dissemos que não tínhamos e começaram a jogar pedra. Como ameaçaram muito, no outro dia faltei ", disse a jovem.

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