Escândalo não poderia surgir em hora mais delicada

Bastidores: Roberto Simon

O Estado de S.Paulo

19 Abril 2012 | 03h04

O caso envolvendo o iraniano Hekmatollah Ghorbani chocou vários diplomatas brasileiros. Bem-educado e piadista, o senhor grisalho de 50 anos era tido como o "sujeito mais simpático" da Embaixada do Irã em Brasília, imagem oposta à do homem arrancado da piscina e quase linchado em um clube da Asa Sul por supostamente ter abusado de várias crianças.

Uma diplomata responsável pela aplicação da Convenção de Viena - o conjunto de leis internacionais que rege a imunidade do corpo diplomático - conversou ontem no Itamaraty com a mãe de uma das supostas vítimas. O governo brasileiro recebeu o relatório policial envolvendo o iraniano e agora aguarda uma manifestação formal da embaixada de Teerã, que permanece em silêncio.

O máximo, porém, que o Itamaraty pode fazer é declarar Ghorbani persona non grata, proibindo-o de pisar em solo brasileiro para sempre. Se o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Antonio Patriota, quiser ir até o fim, o próximo - e último - passo será notificar verbalmente a embaixada do Irã de que seu funcionário está banido do País. Fora isso, o governo do Brasil não pode, juridicamente, fazer mais nada e o caso passará à alçada da Justiça da república islâmica.

Do lado iraniano, o escândalo não poderia ter vindo em um momento mais delicado. Ontem a imprensa oficial do Irã anunciou que o presidente Mahmoud Ahmadinejad visitará o Brasil "em um futuro próximo". Ao contrário do governo Luiz Inácio Lula da Silva, o de Dilma Rousseff tem mantido relações frias com o Teerã. O Itamaraty diz que Ahmadinejad - assim como dezenas de líderes mundiais - virá por causa da cúpula Rio+20, que ocorre em junho.

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