Escândalo das câmeras indiscretas derruba secretário em Araraquara

Responsável pela pasta se afastou do cargo um dia depois de caso se tornar público, alegando problemas de saúde; guardas que espiavam mulheres foram transferidos

Rene Moreira, Especial para o Estado

13 Dezembro 2013 | 15h04

FRANCA - O secretário municipal de Segurança de Araraquara, Eli Schiavi, pediu afastamento do cargo e compareceu ao trabalho nesta sexta-feira, 13, um dia depois de se tornar público um vídeo com guardas civis municipais da cidade espiando decotes e partes íntimas de mulheres por meio das câmeras de segurança. Schiavi negou que sua saída tenha relação com o escândalo e alegou problemas de saúde.

Depois da divulgação das imagens, também foram afastados 12 guardas suspeitos de usarem o sistema de monitoramento eletrônico para espiarem os pedestres. Uma sindicância administrativa foi aberta e os funcionários seguem trabalhando em outras funções na própria Guarda enquanto que o caso é investigado. Ainda não há confirmação de quais agentes estariam envolvidos no desvio de conduta.

Os profissionais trabalham em turnos e ainda não foi possível identificar data e horário das filmagens, segundo os responsáveis pela investigação. Somente quando isso ocorrer será possível saber quem estaria controlando as câmeras naquele momento na Central de Vídeo-Monitoramento.

O promotor de Justiça Raúl de Melo Franco Júnior esteve na Guarda Municipal e abriu procedimento para apurar a denúncia. Ele deu prazo de 15 dias para que a prefeitura tome medidas para resolver o caso.

Indiscreto. Araraquara tem hoje 24 câmeras espalhadas em pontos movimentados da cidade e 16 delas estariam funcionando. A denúncia foi apresentada primeiro na Câmara Municipal, onde foi exibido o vídeo para comprovar a acusação. Ele mostra momentos em que as câmeras deixam de cuidar da segurança da população e passam muitos minutos acompanhando os outros objetos de interesse dos guardas. Em um dos trechos, focalizam uma jovem de short por longos minutos.

Até quando entra em uma loja na Rua 9 de Julho, ela é acompanhada pelas lentes, que aguardam até a sua saída para continuar a acompanhá-la com close no decote e em outras partes íntimas. Em outro ponto, os protagonistas foram dois adolescentes que namoravam no banco da praça. A câmera ficou por quase 30 minutos focando a troca de carícias.

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