Erro de piloto levou à queda do voo 447 da Air France, conclui investigação

A tripulação do voo 447 da Air France, que caiu no Oceano Atlântico em 31 de maio de 2009, errou ao fazer o avião ganhar altitude, provocando, 3 minutos depois, a queda que resultou na morte de 228 pessoas. Essa é a principal conclusão do relatório com as interpretações da tragédia, divulgado ontem pelo Escritório de Investigações e Análises para a Aviação Civil (BEA). O escritório destaca, porém, que é impossível dizer o que motivou essa decisão - o que pode isentar a tripulação de culpa.

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

30 Julho 2011 | 00h00

Pelo documento, de 117 páginas, não se pode dizer se houve uma avaliação equivocada da tripulação, com base em leituras anteriores - as sondas pitots fizeram indicações erradas da velocidade, por vários momentos, antes de voltar a funcionar -, imperícia (até por falta de treinamento) ou negligência. Ou todos os fatores juntos. O escritório não busca culpados e reitera que caberá à Justiça fazê-lo.

No documento, o escritório francês afirma, sem citar nomes, que o copiloto Pierre-Cedric Bonin, de 32 anos, então no comando da aeronave, ao receber a indicação de "erro da velocidade aferida", fruto da pane dos sensores, assumiu o controle manual. Ele passou a elevar a altitude do avião acima do limite recomendável, 5 graus. "Em menos de 1 minuto, o avião saiu de seu domínio de voo, em razão das ações de pilotagem manual."

Gérard Feldzer, ex-piloto de A330-300, ex-diretor do Museu Aeronáutico da França e um dos consultores mais respeitados do país, disse ao Estado que "os pilotos aplicaram o procedimento em excesso". A questão continua em aberto, segundo o BEA, porque as caixas-pretas não registraram as informações disponíveis nas telas de Bonin, o que poderiam explicar o comando para ganhar altitude.

Como consequência do erro na pilotagem, o avião aprofundou sua queda e os dois copilotos, Bonin e David Robert, de 37 anos, não entenderam o que estava acontecendo. Às 11h11, 1 minuto e 30 segundos após a desativação do piloto automático, o comandante - em período de descanso - ingressou na cabine, mas não pôde fazer nada.

O BEA também divulgou trechos dos últimos diálogos da tripulação. O que se ouve é desorientação pura. Os pilotos não sabem se o avião sobe, desce, se está rápido ou lento.

Próximo passo. "Não são conhecidas as razões pelas quais o piloto empinou a aeronave", concluiu ao Estado o investigador chefe, Alain Bouillard. Os técnicos anunciaram a criação de um grupo de trabalho para estudar o comportamento dos pilotos.

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