'Era para todo mundo estar morto', diz dona da casa atingida pela aeronave

Moradores da rua sem saída onde avião caiu na tarde deste sábado relatam o susto

Fabio Leite, Luiz Fernando Toledo, Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

19 Março 2016 | 20h17

SÃO PAULO - A dona de casa Márcia Carrara, de 64 anos, lavava a louça na cozinha ao lado da filha quando um avião turbo-hélice caiu na sua garagem, no meio da tarde de sábado, 19, na Casa Verde, zona norte de São Paulo. A poucos metros, na varanda da sala, o marido brincava com o neto quando o genro gritou que um avião vinha na direção do imóvel. Foi o tempo de correr para os fundos, pular o muro e escapar ilesos.

"Era para estar todo mundo morto", disse Márcia, ainda em estado de choque, duas horas depois da tragédia. "Estava na varanda brincando com meu neto, Depois não vi mais nada porque corri", completou o marido, Armando Carrara, de 65 anos. A casa, a última da Rua Frei Machado, tinha três andares e ficou completamente condenada. O imóvel foi interditado pela Defesa Civil porque corre risco de desabar. O imóvel ao lado foi parcialmente interditado. A família se abrigou na casa de um vizinho.

A acidente, que deixou sete mortos, assustou os moradores da rua sem saída, que ficou em chamas. As calçadas, as paredes das casas e as árvores foram tingidas de preto após a explosão. 

"Vi o avião passando muito rápido e depois ouvi um estrondo muito alto. Tentei subir correndo para socorrer alguém, mas o querosene do avião estava descendo a rua pegando fogo em tudo", relatou Toni Sargologos, 46 anos, vizinho da casa atingida, que trabalha na construção civil.

Major do Corpo de Bombeiros, Henguel Ricardo Pereira acrescentou que a rua virou "um mar de fogo". De acordo com o oficial, o combustível do avião escorreu pela rua em chamas. Os bombeiros levaram cerca de 40 minutos para extinguir as chamas.

"Tinha acabado de chegar em casa e só ouvi o barulho da explosão. As janelas tremeram. Não dava para sair na rua porque tudo estava pegando fogo", contou a aposentada Marlene Camargo, 68 anos, outra vizinha.

Pelo caminho deixado entre as plantas de um terreno em frente à casa atingida era possível enxergar sem dificuldades a pista do Campo de Marte. O administrador de empresas Caio Lima, de 32 anos, disse que nunca tinha imaginado as residências como "um alvo de aviões descontrolados". 

Ele contou que ao chegar no local do impacto viu os moradores da casa desesperados no terraço. "Foi um milagre eles terem sobrevivido. Esse avião poderia ter entrado dentro da sala deles", disse. Segundo ele, que mora na rua de cima do acidente, "foi assustador" o barulho da explosão. "Parecia uma bomba. Achei até que mais casas tinham sido danificadas", afirmou enquanto apontava para a parede chamuscada pelo impacto. Outros moradores da rua chegaram no início da noite e mostraram desespero ao ver o local sem iluminação, cheio de viaturas e com faixas de isolamento. 

"Eu vi tudo pela televisão e fiquei chocada porque meu filho estava dentro de casa", disse uma idosa que não deu o nome e mora em uma casa ao lado da atingida pela avião. Pouco depois do susto da queda da aeronave e enquanto os moradores tentavam entender o que tinha acontecido, mais um momento de pânico. Houve correria quando um equipamento da Eletropaulo pendurado em um poste entrou em curto e começou a soltar faíscas. Pouco depois, ele foi desligado. O rasante do avião atingiu os fios de eletricidade na hora do acidente.

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