''Era de briga'', diz pai de jovem morto

Johni integrava a tribo Vício Punk e já havia sido detido por tentar jogar ovos no governador e no prefeito de São Paulo, em 2006

Aline Nunes, Camila da Silva Bezerra e Fabiano Nunes, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2011 | 00h00

O confronto na Rua Cardeal Arcoverde reuniu skinheads rivais e punks, segundo testemunhas que foram ao show da banda Cock Sparrer, uma das que agrada às duas tribos. Os white power (neonazistas) brigaram com os "Rash" (skinheads de orientação comunista e anarquista) e com os punks.

Johni Galanciak, de 25 anos, era figura conhecida do grupo Vício Punk. Segundo amigos dele, Johni fora preso em 2007, por participar de uma briga na frente do batalhão da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), na Avenida Tiradentes. Ele espancou, com mais oito pessoas, o skinhead Guilherme Witiuk de Carvalho, que sofreu fraturas na face. Em julho deste ano, Witiuk, que já havia sido acusado de jogar uma bomba na Parada Gay em 2009, foi preso por agressões racistas a quatro pessoas na Rua Vergueiro.

Em 2006, Johni rondou o Colégio Santa Cruz, no Alto de Pinheiros, na tentativa de jogar ovos no então governador José Serra (PSDB) e no prefeito Gilberto Kassab (DEM). Acabou detido.

O historiador Marcos Falcão Galanciak, de 51 anos, pai de Johni e também punk, tentou aconselhar o filho sobre o universo punk, mas não teve sucesso. Segundo ele, há dez anos o rapaz fazia parte do movimento e, nesse período, chegou seguidas vezes machucado em casa. "Ele nunca fugiu de uma briga, sempre ficou para o pau. Para ele, nazista tinha de morrer."

Na noite de sábado, de acordo com Marcos, Johni ficaria em casa com a mãe e a avó, mas resolveu ir ao show com parte do grupo punk - outros desistiram por medo de confronto.

Recentemente, Johni passou em um concurso público para o Zoológico de São Paulo, porém, não exerceu a função. De acordo com uma amiga da família, o jovem não estava trabalhando e nem estudando. Ainda segundo a amiga, Johni tinha transtorno bipolar e estava sendo submetido a tratamento diário no HC.

Novos confrontos e retaliações devem acontecer em breve, segundo amigos da vítima. "Aos nazis, carecas e toda corja suja e imunda dessa cidade, só tenho a dizer que tenho dó de vocês. A casa vai cair cedo ou tarde", postou um amigo no Twitter. Adeptos do movimento punk disseram que haverá retaliação, como já costuma ocorrer.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.