FELIPE RAU/ESTADÃO
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Equivalência bélica não vai resolver a insegurança nas escolas, diz secretário da PM

Um mês após ataque em Suzano, coronel diz que saída não passa por armar os professores. Oficial diz que rondas foram intensificadas nos colégios

Entrevista com

Coronel Alvaro Batista Camilo, secretário executivo da Polícia Militar

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2019 | 03h00

O secretário executivo da Polícia Militar de São Paulo, o coronel Alvaro Batista Camilo, afirma que o Estado intensificou rondas escolares e aposta em tecnologia e em informação da comunidade para evitar novas tragédias, como a da Escola Raul Brasil, em Suzano. Sobre a proposta de armar professor, ele diz: “É uma bobagem”.

Após a tragédia de Suzano, muitos pediram mais policiamento nas escolas. O que foi feito?

Nossa primeira medida foi intensificar a ronda tanto em escolas estaduais quanto em municipais. Antes, a viatura aparecia na hora da entrada e da saída, agora passa mais vezes, fica por mais tempo. A Polícia Militar emprega 900 homens e 940 viaturas só na ronda escolar. Efetivamente, são 740 viaturas monitorando escolas do Estado inteiro. Cada viatura passa, em média, em oito colégios. E todas as outras guarnições – patrulhamento de área, Rocam, polícia de trânsito – foram orientadas a dar atenção sempre que passar na frente de uma.

O governo do Estado discute um pacote de segurança para as escolas. Quais são as propostas?

Nós criamos uma linha direta entre a escola e a PM, que já está funcionando. Qualquer ocorrência na escola, agora, não passa mais pela triagem do call center: já cai direto para despacho de viatura. Também estamos estudando incluir as câmeras de monitoramento das escolas no programa Detecta. Não que a polícia vá ficar monitorando o tempo todo, mas se for identificado um problema, ela já pode fazer o acesso remoto.

As escolas terão controle de acesso, com portão eletrônico e raio X, por exemplo?

Precisa ter um mínimo de controle, que pode até ser a figura do coordenador de ensino ou do inspetor. Individualmente, está sendo elaborado um estudo de vulnerabilidade das escolas, para saber a necessidade real de cada uma. Então há quem discuta colocar portão eletrônico, isso seria mais para o futuro. Outras falam em contratar um PM aposentado para trabalhar de inspetor e morar na escola. É discutido.

Nos EUA, chegou a ser discutido armar o professor na sala de aula. Essa proposta pode ser trazida para São Paulo?

Isso é uma bobagem, não deve ser feito. Armar o professor para dar segurança em sala de aula, não. Se o professor quiser se armar por proteção individual dele, é uma coisa. Mas para proteção da escola, não. A segurança vai ser propiciada com a comunidade envolvida e com todo mundo dando informação para a polícia. Não é com equivalência bélica que nós vamos resolver.

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