Equipe que chegou ao Titanic vai procurar destroços do Air France

França anuncia para 15 de março início da 4ª etapa de buscas pelas caixas-pretas do voo 447, que caiu no Atlântico

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2011 | 00h00

O governo da França e o Escritório de Investigações e Análise para a Aviação Civil (BEA) anunciaram ontem, em Paris, uma quarta etapa de buscas - financiadas pela Air France e Airbus - aos destroços do Airbus A330 que fazia a rota Rio-Paris e caiu no Oceano Atlântico em 31 de maio de 2009, matando as 228 pessoas a bordo.

A nova missão será comandada pela entidade privada americana Woods Hole Oceanographic Institution, que em 2010 realizou uma expedição aos restos do navio Titanic, também no Atlântico, e tem a robótica mais sofisticada do mundo para esse tipo de trabalho.

O novo secretário de Transportes da França, Thierry Mariani, disse que as buscas serão feitas em uma área de 10 mil km², definida dentro do círculo criado a partir da última posição conhecida do Airbus.

A etapa será dividida em três fases, a contar de 15 de março, cada uma com a duração média de 36 dias. Participarão também navios da Fundação Waitt e do Instituto Oceanográfico Geomar, da Alemanha.

David Gallo, da Woods Hole e diretor do projeto, ressaltou o desafio que é varrer o fundo do Atlântico Sul - onde a profundidade às vezes supera 4 mil m -, formado por montanhas. "É simplesmente a região mais acidentada do planeta", afirmou ao Estado. Segundo Gallo, localizar o Airbus é um desafio muito maior do que foi a expedição ao Titanic porque sua posição é desconhecida e os destroços não estão em uma região plana.

Responsável direto pela investigação no BEA, Alain Brouillard afirmou que as caixas-pretas ainda podem fornecer elementos para a investigação, mesmo 20 meses após o acidente.

Nelson Faria Marinho, presidente da Associação de Famílias de Vítimas do Voo AF-447, acredita que o tom do novo ministro dos Transportes francês é animador. "Acho que ele está encarando o caso com mais seriedade", afirmou. Militar aposentado, Marinho pediu para participar da expedição como observador.

A quarta etapa, que será a maior já realizada, custará à Airbus e à Air France ? 9,2 milhões.

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