Rafael Italiani/Estadão
Rafael Italiani/Estadão

Equipes de TV são expulsas por taxistas em ato contra Uber

Jornalistas foram agredidos e tiveram que se esconder na Câmara Municipal; veículo da Rede Globo ficou coberto de adesivos

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

09 de setembro de 2015 | 12h06

Atualizado às 18h25

SÃO PAULO - Duas equipes de reportagem da Rede Globo e outra da GloboNews foram hostilizadas e expulsas com empurrões e cornetadas do protesto dos taxistas, nesta quarta-feira, 9, em frente à Câmara dos Vereadores.

A primeira equipe, formada pela jornalista Michele Loreto e pelo cinegrafista Luciano Matioli, foi agredida no momento em que Antonio Matias, o Ceará, presidente do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores nas Empresas de Táxi (Simtetaxis) concedia uma entrevista sobre o projeto de lei que será votado durante a tarde e que pode proibir o aplicativo Uber. O representante da entidade iria explicar por que a categoria é contra o serviço.

A repórter e o cinegrafista tiveram que fugir para dentro da Câmara Municipal. Antes, Ceará tinha subido no carro de som para reeprender taxistas que xingavam as equipes da emissora. Um carro com a logo da Rede Globo foi coberto por adesivos distribuídos por taxistas.

Na sequência, os taxistas hostilizaram profissionais da GloboNews, canal pago de notícias da Rede Globo. Uma terceira equipe de reportagem também foi abordada pelos manifestantes e precisou ser escoltada pela Guarda Civil Metropolitana (GCM).

No final da manhã desta quarta-feira, centenas de veículos brancos se enfileiravam entre a Câmara e a Avenida Brigadeiro Luiz Antônio.

Protesto. Taxistas fazem manifestação diante da Câmara Municipal de São Paulo, na região central, na manhã desta quarta para pressionar os vereadores a aprovar o projeto de lei que proíbe o aplicativo Uber na capital.

Uma das pistas do Viaduto Jacareí já está interditada com carros estacionados em frente ao prédio, à espera de comboios que saem de outras partes de São Paulo. São esperados, segundo os organizadores, cerca de 5 mil profissionais. Taxistas de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná se juntam ao grupo.

Às 15h, os vereadores votam o projeto que torna ilegal o serviço de aplicativos que concorre com os táxis. Após a votação, os taxistas prometem ir ao prédio da Prefeitura, no Viaduto do Chá, para pressionar o prefeito Fernando Haddad (PT) a sancionar a lei. 

Em nota, a diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJSP) lamentou o episódio e disse que é "inadmissível". Os membros do Sindicato afirmaram que o incidente ocorre em momento de "grande tensão política, em que manifestantes não entendem o papel do profissional de imprensa". 

A Associação de Jornalismo Investigativo (ABRAJI) também repudiou o ocorrido. "Ataques como esse à TV Globo têm sido frequentes, mas nem por isso são aceitáveis. Configuram uma agressão à liberdade de expressão e de informação, além de uma afronta à democracia", informou em nota.

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