Epidemia avança entre jovens e gays

Entre 2005 e 2012, o número de casos entre homens de 15 a 24 anos cresceu 81%: saiu de 1.454 casos registrados para 2.635

LÍGIA FORMENTI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2013 | 02h01

As taxas do boletim epidemiológico divulgadas ontem mostram que os problemas relacionados a aids no País continuam sem solução. A epidemia avança entre a população jovem, sobretudo entre o grupo masculino gay.

O boletim aponta para um aumento do número de casos na população de 15 a 24 anos entre 2005 e 2012. Entre homens e mulheres nesta faixa etária, a incidência passou de 8,1 a cada 100 mil habitantes, para 11,3. As taxas são empurradas pelo grupo masculino jovem. No período, os números nesse grupo cresceram 81%: saíram de 1.454 casos registrados para 2.635. Nas mulheres, nesta faixa etária, houve queda de 4% nos casos.

Em homossexuais masculinos, de todas as idades, a prevalência passou de 22,7 para cada 100 mil habitantes em 2005 para 32 por 100 mil, em 2012. O número é bem maior do que a taxa geral brasileira, de 20,2.

Mortalidade. Os números gerais da aids mostram que as taxas de mortalidade permanecem inalteradas e a transmissão vertical (de mãe para filho), embora evitável, continua presente. Dentro desse quadro, surge uma nova preocupação. "Há uma tendência de aumento de casos", diz o pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) Alexandre Grangeiro.

O boletim indica que, em 2011, foram registrados no País 40.535 casos - marca que nunca havia sido alcançada. Em 2012, os números são menores: 39.185. Mas o indicador pode mudar. Em razão do atraso nas notificações, ao longo do ano, ajustes geralmente são feitos. Considerando os números de 2012, o País registra um aumento geral de casos de 12%, em relação a 2005, quando 34.828 pacientes foram contabilizados.

"É um número que reflete infecções que ocorreram há 10 anos", justifica o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, ao falar sobre 2012. Grangeiro, porém, diz que o País vive um momento delicado. "Há essa tendência de aumento de casos. E a resistência na queda da mortalidade ocorre quando técnicas para prevenção e tratamento já são colocadas em prática", diz. Para o pesquisador, é preciso uma política de redução do preconceito - ele dificultaria o diagnóstico precoce do HIV.

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