Enxurrada alaga cidade gaúcha e mata oito pessoas

Prefeitura de São Lourenço do Sul chegou a avisar os moradores sobre temporal, mas maioria não saiu de casa com antecedência

Elder Ogliari, O Estado de S.Paulo

11 Março 2011 | 00h00

Uma enxurrada alagou áreas rurais e parte do perímetro urbano de São Lourenço do Sul, 200 quilômetros ao sul de Porto Alegre, ontem. Pelo menos oito pessoas morreram e centenas ficaram desabrigadas.

O prefeito em exercício, José Daniel Raupp Martins (PDT), decretou situação de calamidade pública. Citou ocorrências pluviométricas acima de 300 milímetros, elevação de três metros no nível médio do Arroio São Lourenço e alagamento de 50% da zona urbana.

A chuva ocorreu durante a madrugada na região de colinas a oeste da cidade. Lá ficam as nascentes dos córregos que formam o Arroio São Lourenço. Impressionados com o volume de água, agricultores ligaram para a prefeitura, que acionou um carro de som para alertar a população sobra a enxurrada que desceria até a foz do arroio, na Lagoa dos Patos, onde está o núcleo urbano de São Lourenço do Sul, cidade de 45 mil habitantes.

Como não estava chovendo no centro na hora do aviso, a maioria dos moradores optou por ficar em casa. Pouco tempo depois, eles foram surpreendidos pela a água, que chegou como uma grande onda e passou do teto dos carros estacionados nas ruas e quase chegou à cobertura das residências. Muitos tiveram de subir aos telhados, onde ficaram esperando resgate.

Ao amanhecer, pelo menos metade da zona urbana estava debaixo d"água. Bombeiros e soldados da Brigada Militar usaram três helicópteros para transportar pessoas ilhadas para um centro comunitário, enquanto voluntários faziam o mesmo de barco. A Santa Casa, único hospital da cidade, atendeu cerca de 300 pessoas com hipotermia, crise nervosa e ferimentos leves.

Das oito pessoas que morreram, cinco - Marlene de Moraes, Glória Martins, Zilah Martins, Zaira Fonseca e Elza Hermann - tinham entre 52 e 82 anos. A sexta vítima, Afonso Beiersdorf, de 80, sofreu um enfarte durante a enxurrada. Outros dois corpos não haviam sido identificados até o início da noite.

O vice-governador Beto Grill passou o dia em São Lourenço do Sul, onde juntou-se aos integrantes de um gabinete de crise montado pela prefeitura. "Infelizmente, o número de mortes pode aumentar." Grill, de 56 anos, vive em São Lourenço desde os 3 e disse que nunca viu nada igual à enxurrada de ontem.

Danos. À noite, cerca de 7,5 mil casas ainda estavam sem energia e grande parte permanecia sem água. A enxurrada também provocou danos na área rural. A água levou duas cabeceiras de ponte na BR-116, principal ligação rodoviária entre o porto do Rio Grande e a região metropolitana de Porto Alegre. Os motoristas foram forçados a usar vias alternativas que aumentam o percurso de 330 para 430 quilômetros, situação que deve se manter pelo menos até domingo.

Em Turuçu, cidade vizinha, arroios transbordaram e derrubaram paredes. Em Venâncio Aires, um vendaval destelhou três casas e em Novo Hamburgo, derrubou placas. Em Santa Cruz do Sul e Rio Grande também houve alagamentos. O 8.º Distrito de Meteorologia indica possibilidade de chuva moderada a forte, com trovoadas e rajadas de vento hoje no Estado.

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