Entusiastas da Proclamação fundaram o 'Estado'

Personagens históricos da República articularam criação do jornal para divulgação de ideais liberais e democráticos

CARLOS EDUARDO ENTINI, O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2013 | 02h08

O desejo de abrir uma voz independente em São Paulo que defendesse os interesses democráticos foi fruto das conversas entre os republicanos durante os encontros em Itu. A primeira ideia foi adquirir um jornal. Na cidade existiam dois: o Correio Paulistano, pertencente ao Partido Conservador, e o Diário de São Paulo.

Na época, os periódicos nada mais eram do que divulgadores dos atos oficiais, de telegramas e notícias antigas. A tentativa de comprar o Correio não deu certo. A saída foi a criação de A Província de São Paulo, hoje o Estado, em 1875. A tarefa foi encabeçada por Francisco Rangel Pestana.

O educador, advogado e abolicionista, e um dos signatários do Manifesto Republicano de 1870, já tinha experiência no jornalismo desde quando cursava Direito no Largo de São Francisco. Depois, em 1866, fundou com amigos o Opinião Liberal e, dois anos depois, O Correio Nacional, todos divulgando ideias liberais e publicados no Rio.

Pestana e simpatizantes da causa formados basicamente por fazendeiros paulistas e advogados fundaram um jornal que se colocou como uma opção aos "debates tão necessarios para solução de problemas que interessam a seu desenvolvimento moral e material".

Apesar de a maioria dos fundadores ser membro do Partido Republicano Paulista (PRP), o jornal adotou uma postura independente de partidos.

"Não sendo orgam de partido algum nem estando em seus intuitos advogar os interesses de qualquer d'elles, e por isso mesmo collocando-se em posição de escapar ás imposições do governo, ás paixões partidarias e ás seducções inherentes aos que aspiram ao poder e seus proventos, conta A Provincia de São Paulo fazer sua independencia o apanagio de sua força e a medida da severa moderação, sisudez, franqueza, lealdade e criterio em que fundará o salutar prestigio a que destina-se a imprensa livre e consciente", explicou o jornal na primeira edição, de 4 de janeiro de 1875.

Um dos principais objetivos dos fundadores da Província chegou mais de 14 anos depois e foi publicado em letras garrafais na capa de 16 de novembro de 1889, "Viva a Republica". Na página seguinte, a notícia da Proclamação veio em forma de transcrição de telegrama descrevendo toda a movimentação e o clima do dia anterior.

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