Entulho removido para lixão será vistoriado em busca de corpos

Até o início da tarde, 17 vítimas foram resgatadas dos escombros; 5 ainda não haviam sido encontradas pelas equipes de resgate

BRUNO BOGHOSSIAN / RIO, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2012 | 03h08

Três dias depois do desabamento de três prédios no centro do Rio, os bombeiros determinaram o início das buscas por corpos de vítimas a 30 quilômetros de distância, no terreno da Baixada Fluminense em que foi depositado o entulho retirado do local da tragédia. Ainda há cinco desaparecidos, o que pode elevar para 22 o número de mortos, mas restam poucos pontos onde podem ser encontradas vítimas.

Até o início da tarde de ontem, 17 corpos haviam sido removidos dos escombros. O comandante da equipe de buscas admitiu a possibilidade de que mais vítimas tenham sido levadas por engano pelas escavadeiras. Na sexta-feira, um corpo, muito mutilado, foi encontrado entre o entulho que já havia sido removido para um terreno às margens da Rodovia Washington Luís, no município de Duque de Caxias.

"Eu não descarto a possibilidade (de haver outros corpos nesse local). Já encontramos aqui corpos que facilmente seriam confundidos com escombros", disse o comandante-geral dos bombeiros, coronel Sérgio Simões. "Em uma operação desse porte, essa possibilidade tem de ser considerada. Por isso, determinamos que todos os escombros fossem mantidos em um mesmo local."

As máquinas que foram usadas no trabalho de buscas e remoção dos destroços foram enviadas para o terreno onde está o entulho. O equipamento será usado para revirar os blocos de concreto e vigas em busca de desaparecidos. Cães farejadores também serão empregados nessa tarefa.

Desde o início da manhã de ontem, as retroescavadeiras foram desligadas no local do desabamento. Nenhum corpo foi encontrado entre 2h20 e 13h30 de sábado. Ainda há a possibilidade de vítimas terem sido soterradas na parte dos fundos, entre o Liberdade, o prédio anexo do Theatro Municipal e o edifício vizinho - onde já havia sido encontrado um corpo. Cães farejadores se manifestaram depois que foram levados até esse ponto, mas nada foi encontrado.

As buscas também se concentraram em parte do vão de escadas do Edifício Liberdade. Permaneceu de pé uma faixa de cerca de 1,5 metro de largura, a uma altura de sete andares. Com a ajuda de uma escada Magirus, bombeiros foram erguidos até o topo dessa estrutura, mas não encontraram vítimas até as 13h30. Foi necessário retirar com ferramentas alguns pedaços de concreto que corriam risco de cair.

A prefeitura chegou a informar que 27 famílias haviam procurado parentes que estariam nos prédios, mas, segundo o Corpo de Bombeiros, familiares de cinco pessoas não mantiveram contato com a Secretaria de Assistência Social. Isso fez com que o número de mortos e desaparecidos fosse revisado para 22.

Roubo. O comandante dos bombeiros lamentou as denúncias de que funcionários teriam desviado bens que estavam sob os escombros. Ele, porém, não confirmou o roubo dos pertences.

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