Entulho é despejado em campos de futebol

Especialistas pedem que ''lixões de emergência'' de Nova Friburgo sejam vistoriados para que não se tornem permanentes

Paulo Sampaio e Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

22 Janeiro 2011 | 00h00

NOVA FRIBURGO

Em uma semana, 20 mil toneladas de entulho foram retiradas de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis, as cidades serranas do Rio mais castigadas pelo temporal da semana passada. A estimativa do lixo recolhido foi feita pela Secretaria Estadual do Ambiente. São toneladas de lama, misturadas com lixo, móveis, portas de geladeiras, restos de fogão, maçanetas, roupas, tudo levado pela enxurrada.

Em Nova Friburgo funcionam como "lixões de emergência" dois campos de futebol e dois outros terrenos. Em todos os locais, o mau cheiro é muito forte. "Esses lugares foram escolhidos pela proximidade das áreas a serem desobstruídas. Precisamos agir com rapidez. É uma "operação de guerra"", diz o engenheiro Ivan Mundim, da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio (Emop).

Por dia, 127 caminhões fazem pelo menos três viagens aos lixões improvisados. Mundim não sabe avaliar as consequências imediatas que esse entulho pode trazer para a saúde da população. "Não dá para pensar nisso agora. É uma emergência", afirma o engenheiro. A reportagem flagrou um motorista descarregando um caminhão em um trecho da estrada RJ-130. Segundo ele, "em Friburgo não tem bota-fora".

Impacto. Especialistas dizem que, em condições normais, seria inaceitável usar um terreno para descarregar entulho - especialmente com elementos não orgânicos -, sem antes fazer uma análise do impacto ambiental. "Compreende-se o despreparo das autoridades para lidar com a situação, até pela dimensão dos deslocamentos de terra. Mas é preciso cobrar um olhar reorganizador e ações posteriores de correção", diz Rogério Rocco, analista ambiental do Instituto Chico Mendes, ligado ao Ministério do Meio Ambiente.

Para Rocco, seria interessante que, em um prazo de aproximadamente 30 dias, o assunto fosse lembrado por algum órgão ambiental. Ele diz que, entre outros efeitos negativos, o esquecimento pode induzir a população ao mau uso do terreno. "A experiência tem mostrado que esses terrenos acabam sendo transformados em depósitos de lixo. Então, as pessoas descarregam todo tipo de resto ali e o impacto pode ser bem negativo."

Destino. O destino dos escombros da tragédia preocupa as autoridades. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) já licenciou dois locais em que será feita a separação do que pode ser aproveitado para a construção de casas, como madeira e areia.

"O volume de entulho é muito maior do que o total retirado até agora, mas achamos que, com a seleção, poderemos aproveitar muita coisa e diminuir em 40% a quantidade de lixo", calcula o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc. Quando restar apenas o lixo não reciclável, a ideia é que tudo seja enterrado em um local onde seja possível promover reflorestamento.

O secretário admite que nem tudo será retirado. "Alguns rios foram assoreados de tal maneira que é impossível reverter a situação. Vão ocorrer mudanças geográficas. Além disso, se retiramos 500 mil toneladas de entulho, onde vamos colocar isso?", questionou Minc.

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