Entregas atropelam pedestres nas calçadas da Boa Vista

Vans e Kombis a serviço de restaurantes e padarias descarregam produtos e bloqueiam a passagem na via

Marcela Spinosa, O Estado de S.Paulo

16 Fevereiro 2011 | 00h00

Seu José, de 75 anos, foi atropelado na manhã de quinta-feira na Rua Boa Vista, no centro. Mas não por um veículo, já que ele andava pela calçada. Foi atingido por um carrinho de mão carregado com bebidas. "Ainda bem que não me machuquei", diz.

Acidentes desse tipo são comuns ali, principalmente entre as 7h30 e as 9h30, desde que a Prefeitura endureceu em 2008 as regras para o trânsito de caminhões na Zona Máxima de Restrição de Circulação (ZMRC), área de 100 km² do centro expandido da cidade. A Boa Vista está na área de proibição. Desde então, caminhões grandes não podem circular de segunda a sexta, das 5 horas às 21 horas.

O trânsito só é liberado das 10 às 16 horas para os Veículos Urbanos de Carga (VUCs) com autorização da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Mas é antes desse horário que os bares e restaurantes recebem mercadorias. A solução foi fazer entregas com Kombis, vans e pequenas caminhonetes.

Com o passeio público bloqueado, pedestres são obrigados a desviar dos obstáculos e até mesmo caminhar pela rua, rente aos carros. "Todo dia é isso. A partir das 7h30, eles começam a chegar e os pedestres que se virem", reclama o arquiteto Ling Chiu Loi. Quando não são as caixas, as pessoas têm de desviar dos entregadores, que prejudicam a passagem com seus carrinhos, ao levarem os produtos das vans aos estabelecimentos.

O problema com os veículos de entrega, porém, não fica restrito à calçada. O taxista Lauro Neves, de 64 anos, afirma que os motoristas desses veículos estacionam na faixa reservada a eles. "Pedimos para saírem e eles não respeitam", afirma. Gerente de uma padaria na Boa Vista, Altair Bitelli, de 56 anos, reconhece os transtornos, mas culpa as restrições. "Os caminhões foram proibidos de entrar aqui. O resultado é que os veículos menores voltam para cá até três vezes por dia, enquanto antes vinha um caminhão grande e resolvia tudo em meia hora."

O presidente da Associação Brasileira de Pedestres (Abraspe), Eduardo José Daros, cobra mais fiscalização da Prefeitura. "O pedestre é fraco, não tem como impedir o problema. Com fiscalização, os entregadores ficariam receosos."

A Subprefeitura da Sé informou, por nota, que estabelecimentos podem ser multados pela obstrução do passeio público. Segundo o órgão, a descarga deve ser feita no estabelecimento.

AS RESTRIÇÕES

Caminhões

Tráfego proibido de segunda a sexta-feira, das 5h às 21h, na Zona Máxima de Restrição.

Veículos Urbanos de Carga (Vucs)

Circulam na Zona Máxima de Restrição de segunda a sexta, das 10h às 16h. Eles têm largura máxima de 2,20m e 6,30m de comprimento.

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