Entrega de remédios do HC tem falhas

Pacientes relatam atrasos, falta de medicamentos e itens entregues em dosagens e formulações diversas da prescrita pelos médicos

FABIANA CAMBRICOLI, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2014 | 02h04

Responsável pela entrega da medicação de mais de 65 mil pacientes do Hospital das Clínicas de São Paulo, o programa Medicamento em Casa vem registrando problemas como atrasos, falta de remédios e itens entregues em dosagens e formulações diferentes das prescritas pelos médicos da unidade. O hospital diz que os casos são pontuais, mas pacientes ouvidos pelo Estado afirmam ter sido vítimas das falhas várias vezes.

No caso da empresária Wanda Moura da Silva, de 65 anos, os repetidos erros fizeram com que ela registrasse, além de uma reclamação na Ouvidoria do hospital, um boletim de ocorrência.

"No ano passado, eu já havia recebido em casa medicamentos de outro paciente, mas apenas avisei o hospital sobre o erro, registrei a reclamação e devolvi a medicação errada. Só que, no mês passado, recebi três medicamentos que eu realmente tomo, mas em dosagens mais altas que as recomendadas pelo médico. Isso é muito perigoso, por isso resolvi registrar o boletim de ocorrência", conta Wanda, que é transplantada do rim e tem hepatite B crônica. Um dos medicamentos recebidos em composição errada foi a ciclosporina, usada para evitar que Wanda apresente rejeição ao órgão transplantado. Em vez de mandarem o de 50 mg, enviaram o de 100 mg.

"E se fosse uma pessoa que não enxerga direito, que não reparasse na embalagem e tomasse o remédio errado por vários dias?", questiona ela, que recebeu ainda os medicamentos atenolol e lamivudina em dosagens incorretas.

"O médico me disse que se eu tomasse os medicamentos nas dosagens que foram enviadas, eles seriam muito tóxicos para mim, eu poderia até perder o meu rim", diz ela.

Atraso. Outro problema do programa é o atraso na entrega dos medicamentos. Muitos dos pacientes cadastrados no serviço dizem que têm de ir mensalmente ao hospital para reclamar da falha ou para retirar os produtos pessoalmente.

Também transplantada, a dona de casa Neide Tideman Sartorio, de 52 anos, recebe da farmácia um medicamento imunossupressor para prevenir a rejeição do rim, mas, no início do mês, procurou a farmácia para cancelar seu cadastro no programa. "Faz seis meses que eu não recebo o remédio em casa e tenho de vir pessoalmente. O que adianta, então?", indaga ela.

Com osteoporose, artrose e dores para caminhar, a aposentada Valdenir de Oliveira Silva, de 65 anos, também precisou ir até a unidade neste mês para retirar dois remédios que toma para os problemas nas pernas. "Não é fácil porque moro em Carapicuíba (Região Metropolitana de São Paulo) e tenho de tomar um ônibus, um trem e um metrô", conta ela.

Baixo índice. Apesar das reclamações, a assessoria de imprensa do Hospital das Clínicas diz que o número de queixas é baixo (mais informações nesta página).

Tudo o que sabemos sobre:
SaúdeSaúde PúblicaMedicamentos

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.