Entrega de casas por Geraldo Alckmin cai 80% na capital paulista em 2013

Balanço da CDHU mostra que, até novembro, foram 1.304 unidades, contra 7.620 em 2012

Fabio Leite, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2014 | 02h07

No ano em que as invasões de prédios por sem-teto explodiram na capital paulista, a construção de moradias populares pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) despencou mais de 80% na cidade, na comparação com 2012. Balanço da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) mostra que o cenário se repete em todo o Estado.

Entre janeiro e novembro, foram concluídas 4.457 casas em todo o território paulista, ante 26.601 unidades no ano passado. Segundo a própria CDHU, a meta era fechar 2013 com 8.470 moradias entregues. O balanço de dezembro ainda não foi divulgado. Já na capital, a produção habitacional caiu de 7.620, em 2012, para 1.304 casas até novembro de 2013.

Considerando os dados de 2011, primeiro ano de governo Alckmin, quando foram entregues 28.882 casas no Estado (7.735 na capital), a produção estadual de moradias por mês caiu de 2.300 para 400 em 2013, queda de 83%. Até agora, o governo estadual entregou 55.483 moradias, quase a mesma quantidade que o ex-governador Mario Covas (PSDB), morto em 2001, entregou só em 1998:52.167.

Segundo o secretário estadual de Habitação, Silvio Torres, "houve um descompasso" na produção habitacional da CDHU em 2013 porque muitos convênios com prefeituras paulistas para a execução das obras deixaram de ser assinados no segundo semestre de 2012 por causa das restrições da legislação eleitoral, que veta assinatura de parcerias três meses antes das eleições.

"Até 2011, a CDHU licitava todas as suas obras. Nós descentralizamos o processo e autorizamos as prefeituras a fazerem as licitações, e o Estado passou a encaminhar os recursos por meio de convênios. Só que, em ano eleitoral, você só assina convênio até 30 de junho, e depois da eleição as administrações mudam e os prefeitos vão analisar o que acham melhor para o município. Isso impactou nos números, mas já estamos retomando o ritmo", disse Torres.

Meta. Na campanha de 2010, Alckmin prometeu 150 mil unidades em quatro anos. Para atingir a meta, o governador criou o programa Casa Paulista, versão regional do Minha Casa, Minha Vida do governo federal, no qual o Estado dá incentivos para construtoras produzirem moradias para famílias com renda mensal de até R$ 1,6 mil.

A meta é contratar 100 mil unidades até 2015. Segundo Torres, já há contratos para construção de 62 mil moradias, e outras 40 mil devem ser confirmadas neste ano. Até novembro, apenas 418 unidades haviam sido entregues. / F.L.

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