Entrega de armas continuará em 2012

Após recolher sete armamentos por hora e pagar R$ 3,5 mi em indenizações, governo vai estender campanha; anonimato será mantido

VANNILDO MENDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 Dezembro 2011 | 03h06

Em menos de oito meses, a Campanha de Desarmamento recolheu sete armas por hora e pagou R$ 3,5 milhões em indenizações. O Ministério da Justiça e o Banco do Brasil assinaram ontem um termo de renovação da campanha, que será estendida por todo o ano de 2012. O governo vai manter o anonimato na entrega e ampliar os postos de coleta em milhares de municípios, focando agora a campanha nos homicídios por motivo banal.

"Cidadãos de bem às vezes matam por motivos passionais: o som alto do vizinho; uma bebedeira; brigas de trânsito ou rixas pessoais. Tudo porque tinham uma arma à mão em um momento de exaltação", disse o ministro interino da Justiça, Luiz Paulo Barreto. "Esses crimes de motivo fútil elevam muito as taxas de homicídios e isso não pode continuar no Brasil que queremos construir."

A grande arma da atual campanha foi o anonimato, como admitiu o ministro interino da Justiça: 80% das devoluções foram feitas na condição de anonimato e cerca de 20% eram artefatos de grande porte. Trata-se de um verdadeiro arsenal de guerra: das 36.834 armas recolhidas - sem contar 151 mil munições -, 7.640 eram de grande porte. São rifles, fuzis, escopetas, carabinas e metralhadoras, entre outras armas de uso restrito de forças militares que, pela primeira vez, foram entregues ao Estado.

O dado que mais chamou a atenção das autoridades foi a entrega de 95 fuzis, entre os quais os da marca AK-47, de alta precisão e letalidade.

UPPs e Exército. Muitas peças pertenciam a traficantes que fugiram de morros do Rio, ocupados neste ano por tropas estaduais e federais. A implementação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) também ajudou nesse processo. Como todas foram entregues sem identificação, não se sabe se alguma foi devolvida por traficante.

Mas, por relatos informais, sabe-se que, no caso dos morros cariocas ocupados, a maior parte foi levada por familiares, vizinhos e amigos dos bandidos que sabiam onde eles haviam escondido os artefatos durante a fuga. O governo paga entre R$ 100 e R$ 300 por arma devolvida, conforme o calibre.

Ranking. Considerando as devoluções em todo o País, os revólveres lideraram a lista de itens, com mais de 18 mil unidades. Os Estados que mais devolveram armas foram São Paulo (9.994), Rio Grande do Sul (4.599), Rio (3.918) e Minas (3.033). "Muitas eram armas em poder de pessoas de bem e que foram compradas na feira, de um conhecido ou vizinho. Elas não eram devolvidas por medo, uma vez que desconheciam a origem", explicou o ministro. Nas duas versões anteriores da campanha (2004 e 2005), foram recolhidas 570 mil armas. "Agora, o desarmamento segue como uma política pública permanente de segurança", ressaltou o ministro.

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