Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Entre violinos e bisturis, a orquestra do Einstein

Com 80 integrantes, alguns de outras profissões, grupo se apresentou no Teatro Municipal e na Sala São Paulo. A maioria estudou música quando jovem, mas a deixou de lado para se dedicar à medicina

Mônica Pestana, O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2010 | 00h00

A afinação dos instrumentos começa em meio a risadas, muita conversa e descontração. Tudo muito informal até o sinal do maestro Nasari Campos, que indica o início do ensaio. Reunidos no auditório do Hospital Albert Einstein, os músico-médicos da orquestra filarmônica do hospital deixam o jaleco de lado para dedicar algumas horas do dia à música e treinar as canções natalinas que fazem parte da primeira apresentação ao ar livre do grupo, marcada para o dia 12, na Praça das Notas Musicais, no Jardim Ângela, para um público estimado de 3 mil pessoas. O grupo já se apresentou em locais como o Teatro Municipal e a Sala São Paulo.

O repertório escolhido conta com músicas como o clássico americano White Christmas e Noite Feliz, além de atos da ópera Carmen e peças de musicais como Cats, O Rei e Eu e Hook. A ideia, segundo o maestro Nasari Campos, é ter um repertório diversificado. "Dividi nossas apresentações com músicas eruditas, musicais da Broadway e também jazz, como Duke Ellington e temas de big bands", explica Nasari. "Tudo para não ficar com aquela impressão de que música de orquestra dá sono", diz.

História. Criada há 21 anos a partir de uma ideia do cirurgião pediátrico Jaques Pinus, o objetivo da filarmônica era reunir ortopedistas, psicólogos, pediatras e outros especialistas que tinham talento e paixão pela música. "Percebi que nas festas de fim de ano do hospital tinha muita gente que sabia tocar um instrumento e contratamos um maestro para ver se saía uma orquestra", lembra Pinus.

A primeira formação contava com 16 médicos ligados ao Einstein. Por esse motivo, tornou-se conhecida como Orquestra dos MusiMédicos, nome dado pelo próprio maestro. Hoje, é aberta para interessados que saibam tocar algum instrumento, sem a necessidade de ser profissional ou ligado à área de saúde. Atualmente, tem 80 integrantes.

O desafio de reunir médicos que tocavam instrumentos como gaita de boca, viola de gamba (instrumento de corda semelhante ao violão), escaleta, flauta doce e violão não foi fácil. "O Jaques escreveu o nome dos instrumentos em um receituário. Não tinha nenhum instrumento de base. Perguntei se ele queria uma orquestra ou um desafio", conta Nasari. Logo no início, o maestro compôs duas músicas adaptadas para o grupo para testar os conhecimentos dos músico-médicos.

A pediatra e pianista Milena De Paulis, de 39 anos, entrou para o grupo em 1993. Segundo ela, os ensaios são um momento de descontração, mas no dia do concerto a sensação é outra. "Nos ensaios é tudo muito alegre, somos todos amigos. Mas dá aquele nervosismo na hora de se apresentar", conta a médica. Grande parte dos envolvidos, assim como Milena, aprendeu um instrumento quando criança e deixou de tocar para se dedicar à profissão. "Estudei quando criança e depois voltei a estudar por paixão à música", conta Sérgio Tunchel, de 57 anos, pediatra e saxofonista da orquestra.

Emergências. No ensaio da quarta-feira, nenhum celular tocou, mas chamados médicos já aconteceram durante ensaios. "Se tocar, a gente atende o telefone e se não for urgente, voltamos para o ensaio. Está ficando puxado, mas é possível conciliar. Quando mais ocupado você é, mais arranja tempo", garante Pinus. Todas as apresentações do grupo têm caráter beneficente e geralmente são arrecadados alimentos não perecíveis.

Serviço

APRESENTAÇÃO DA ORQUESTRA: DIA 12. LOCAL: PRAÇA DAS NOTAS MUSICAIS. RUA ANDATINOS, JARDIM ÂNGELA, 11 HORAS. ENTRADA: 1 KG DE ALIMENTO NÃO PERECÍVEL

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