'Entraram com tudo jogando gasolina. Estavam alucinados'

O senhor estava dentro do ônibus quando tudo aconteceu?

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2012 | 02h01

Estava. Tinha acabado de encostar no ponto quando eles (os agressores) vieram.

Tinha muita gente no ônibus?

Só dois passageiros que estavam embriagados, dormindo. Chegou no ponto deles, o cobrador tentou acordá-los e eles não responderam. Eu falei: "Deixa chegar no ponto final que a gente dá jeito de acordá-los". Eram um boliviano e um brasileiro (não identificados).

Quem pôs fogo no ônibus queria matar?

No meu raciocínio, eles não tinham intenção de matar. Mas não chegaram falando "desce, desce". Nada disso. Já chegaram jogando gasolina e metendo fogo. Não olharam se tinha gente ou não. Até em mim eles jogaram gasolina. Se eu tivesse ficado lá, teria me incendiado todo.

Jogaram gasolina no senhor?

Jogaram. Eu abri as portas e eles entraram com tudo jogando gasolina. Estavam alucinados. Se tivesse um monte de gente lá, Deus me livre. Teria acontecido pior.

Eles falaram alguma coisa para o senhor?

Para mim, nada. Chegaram gritando, xingando, quebrando os vidros por fora com pau. Tive de sair correndo senão pegava fogo em mim também.

O senhor saiu correndo e os dois rapazes ficaram lá...

Eles estavam embriagados, desmaiados. Não deu tempo. O fogo pegou muito rápido.

Então não deram chance de sair?

Não deram chance. Só estava eu o cobrador e esses dois rapazes. Infelizmente aconteceu isso aí.

Tinham quantos nesse grupo?

Mais de 20, com certeza.

E agora, o senhor está com medo de trabalhar?

Medo, não, mas estou meio traumatizado. /A.R.

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