Entrada para praia em Ilhabela é bloqueada por ato contra 'pedágio'

Entrada para praia em Ilhabela é bloqueada por ato contra 'pedágio'

Moradores e operadores de turismo fecharam via com picapes e jipes; turistas que vão à Praia dos Castelhanos têm de pagar R$ 12

Reginaldo Pupo, Especial para O Estado

20 Novembro 2014 | 16h08

ILHABELA - Cerca de 80 moradores e operadores de turismo de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, bloquearam com jipes e picapes a entrada da estrada-parque que dá acesso à Praia de Castelhanos, o principal atrativo turístico do arquipélago, em protesto contra a cobrança de taxa de R$ 12. O valor, por pessoa, passou a ser cobrado pelo Governo do Estado desde a última terça-feira, 18 para acesso à praia. O protesto teve início às 6h e terminou às 14h, horário em que fica proibida a subida de carros para a praia para priorizar quem retorna dela.  

A manifestação deverá continuar nesta sexta-feira, 21, no mesmo horário e, segundo os organizadores, somente irá terminar quando os jipeiros e a comunidade que mora em Castelhanos forem ouvidos por representantes da Fundação Florestal, que administra o Parque Estadual de Ilhabela. O prefeito Antonio Luiz Colucci (PPS) também se manifestou contrário à ideia. Para ele, a cobrança prejudica quem quer ir à praia. "O Parque quer cobrar a taxa pois para se chegar à praia de Castelhanos, é necessário passar por dentro do Parque Estadual. Ocorre que a praia está fora da área do Parque e a cobrança é injusta".

Nenhum turista conseguiu chegar de carro até a praia. Alguns se arriscaram a fazer o percurso a pé, de cerca de 22 quilômetros. Os passeios já agendados pelas operadoras de turismo foram cancelados. Segundo o presidente do Ilhabela Convention & Visitors Bureau, Michael Coleman, a medida poderá prejudicar o turismo. "Os protestos não são contra a cobrança da taxa, e sim, pela forma como ela foi decidida, já que nenhuma entidade foi consultada sobre a decisão".  Segundo ele, a cobrança tende a ser ilegal, pois o Parque Estadual de Ilhabela não possui um plano de manejo, condição essencial para a cobrança.

"Surpresa". "Fomos pegos de surpresa, assim como os turistas que chegaram à ilha por carro ou por navios de cruzeiro. Os pacotes turísticos que incluíam a praia foram cancelados pelas operadoras", disse Coleman. Ainda segundo o presidente, outra questão que motivou o protesto foi a falta de contrapartida do Parque, que não estaria oferecendo condições básicas para a prática do turismo. "Não existem placas de sinalização, não há informações para o turista saber que tipo de árvore ou animais vivem no local e não há fiscalização para o cumprimento dos horários de subida e descida da praia", completou Coleman.

O jipeiro Marcelo Batista de Oliveira também afirmou que a categoria não é contra a taxa. "Elaboramos um projeto para a estrada-parque que previa placas de sinalização, estacionamento e construção de guaritas nos dois lados da estrada para controlar a entrada de carros", explicou. Segundo ele, em casos de emergência são os jipeiros quem socorrem os turistas, pois o Parque não dispõe de nenhuma estrutura para atender a essas situações. 

Recentemente a Fundação Florestal limitou em 167 o número de veículos que podem chegar até a praia, sendo 42 carros de passeio, 65 jipes de passeios turísticos cadastrados e 60 motos. Veículos de moradores são isentos, segundo o órgão. A taxa não é cobrada para quem trafegar a pé ou de bicicleta.

De acordo com a Fundação Florestal, a cobrança está prevista dentro no plano de implantação da estrada (Resolução Conjunta SMA/ST nº 004/2010), que determina que o órgão é responsável por operar e controlar o uso da estrada. O órgão informou em nota que os recursos arrecadados com as taxas "contribuirão com o custeio da operação da Estrada-Parque Castelhanos". 

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